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sábado, 26 de dezembro de 2015

Portugal,uma sociedade doente:



Os portugueses são um povo neurótico, a precisar de colo e de se pensar a si próprio e à sua existência. Carlos Céu e Silva, psicólogo clínico, pensa que o considerável aumento do mal-estar que a austeridade provocou espelha de forma preocupante as patologias mentais de uma sociedade doente. E responsabiliza os políticos portugueses por esse quadro depressivo.

Há dias, no Facebook, apareceu uma frase que creio que define bem o mal-estar que está na raiz de várias patologias que afectam os portugueses. Essa frase diz assim: «Doutor, sofro de retenção de tristeza». O que pensa da frase?
Diria que a partir do momento em que a pessoa expressa de forma tão clara o seu mal-estar, uma parte do caminho já se fez. O sofrimento mais profundo e mais existencial da nossa vida, nós temos muitas vezes dificuldade em expressá-lo, ele não é sempre traduzível em palavras. Nessa medida, essa frase indica muito claramente que a pessoa que a diz está muito triste, ou muito melancólica, relativamente a uma sociedade que não corresponde ao seu ideal. Penso, também, que há depressão na existência dessa pessoa. Mas não posso saber, apenas pela frase, a gravidade dessa depressão, o grau que tem na sua vida diária e de que forma a afecta.

O que transforma essa frase num enunciado significativo é a palavra retenção. Porque essa palavra diz-nos que há uma justaposição de várias camadas de tristeza que estão retidas, que não foram ainda ou libertadas ou transformadas noutra coisa.
Concordo. Mas podemos também interpretar essa palavra de outra forma, porque ela também pode dizer-nos que a pessoa detém um poder individual sobre a situação.
Que é capaz de se auto-controlar?
Sim. E talvez até de um egoísmo.
Não percebo a ideia de egoísmo. Pode explicitar?
Se olharmos para o ser humano nas suas componentes internas e mentais, percebemos que há sempre egoísmo, porque para sobrevivermos tem de haver da nossa parte um constante esforço suplementar. É porque temos esse poder individual, seja ele mental, emocional ou fisiológico, que somos capazes de reter – tal como uma criança se torna capaz de controlar a micção, por exemplo. A capacidade de retenção tem a ver com a forma como nós nos concebemos como seres individuais e sociais. E é este conflito, por vezes desorganizado, que faz com que possamos sentir-nos melancolicamente desprovidos de capacidade para viver socialmente em equilíbrio.
Considera, ou não, que a frase define o povo português?
Considero que define bem e mal o povo português. Define bem porque de facto o povo português é um povo que deseja poder, que deseja conquistar poder, e também o poder de se auto-controlar. Mesmo que depois experimente dificuldade em ter poder, em lidar com o poder, qualquer que seja. E define mal porque quando o português adquire poder, a forma como o gere revela uma dificuldade operacional em assumir conscientemente as suas decisões. E revela também um equívoco, porque a relação com o poder não obriga ao uso de autoritarismo, mas a uma disciplina afirmativa e estimuladora.
O que quer dizer quando diz que os portugueses não lidam bem com o poder?
Quero dizer que nós, portugueses, historicamente, não fomos e continuamos a não estar preparados e a não ser educados para o poder. O português típico deseja o poder, e inveja o poder de quem o tem. Quem tem poder é sempre visto pelos portugueses como um ser a abater. Porquê? Para que possam substituir os outros nesse poder.
Podemos encarar isso como um defeito constitutivo do carácter nacional?
Podemos. Mas vale a pena perguntar porquê, por que é que esse carácter tem essas características? Porque é que nós, portugueses, somos tipicamente invejosos e temos, tipicamente, a tendência para ver o outro de forma deturpada e como um ser ameaçador?
Porquê?
A nossa história existencial enquanto povo, e a criação da nossa pátria enquanto chão, mostram-nos que fomos sempre assim.
E no entanto somos antigos, temos caminho feito.
Penso que o ser humano muda pouco ao longo de tão curto espaço de tempo. Quero dizer que somos, nós Humanidade, sensivelmente iguais aos primitivos. Apesar de todo o desenvolvimento, que considero fantástico, nós somos, no século XXI, sensivelmente iguais ao que éramos no tempo das cavernas. Sim, é verdade que descobrimos o fogo e tudo o que se lhe seguiu, mas em termos de desenvolvimento do pensamento e de desenvolvimento emocional, pouco mudámos, creio. Se pudéssemos ser enviados a épocas anteriores à nossa, seríamos confrontados com sociedades muito atrasadas, que apenas somos capazes de imaginar cinematograficamente, apesar de o cinema não proporcionar, na minha opinião, uma imagem fiel da realidade. Só a literatura o faz, só ela, escrita num determinado tempo, reproduz a realidade vivida nessa época em que é escrita. Não quero desvalorizar o cinema, mas penso que é uma linguagem que normalmente deturpa a realidade, mesmo quando procura ser fiel a um tempo histórico. Portanto, penso que se fôssemos visitar essas outras épocas, tenho a certeza de que seríamos confrontados com essa realidade tão chocante de nos descobrirmos emocionalmente muito parecidos, se não mesmo iguais aos nossos antepassados. Como sei isto? Porque verifico que continuamos a reagir em relação ao medo ou à indiferença ou à inveja ou ao egoísmo da mesma maneira. Somos os mesmos animais dos primórdios.
Mas não assumimos isso, e aliás nem sequer nos reconhecemos como animais.
Pois não, e esse é um grande problema. Mas há outros: não aceitamos que morremos individualmente. Temos sempre uma visão errada da nossa própria morte. Não temos muitas vezes noção da nossa própria história de vida. Renegamos muitas vezes o nosso passado. Achamos que o presente é feito de futuro, quando na verdade ele é efectivamente feito de passado. Estou a generalizar, claro, há pessoas que são diferentes, mas estou a falar da maioria.
Mantivémo-nos primários. Não compreendemos quem somos, ou como construir a nossa existência.
Sim. É nesse sentido que falo de ausência de desenvolvimento.
Somos criados num registo de sadismo que abafa todos os masoquismos.
Seremos então, nós portugueses, parte de uma Humanidade humanamente subdesenvolvida. Mas talvez a natureza das relações entre as pessoas contribua decisivamente para esse subdesenvolvimento. E também para essa tão grande retenção de tristeza. Refiro-me a todas as relações, que me parecem todas e sempre relações de poder.
Sim, até as amorosas.
Ou seja, existimos nessa dualidade, que é também uma alternância. Ora sou eu que detenho poder sobre ti, ora és tu que o detens sobre mim, e alternamos nesses papéis de poder ao longo da vida. Ainda assim, parece-me que a sociedade portuguesa é maioritariamente constituída por masoquistas. Como há muitos, e muito masoquistas, os sádicos, que são em menor número, vêem-se na necessidade de ter de ser muito eficazes, logo, muito sádicos. É uma caricatura, mas o que pensa disto?
Penso que é verdadeiro. Na minha opinião, Portugal é, em termos de quadro mental, uma sociedade doente. Há uma doença que faz parte da nossa existência enquanto portugueses. A instauração da República não fez de nós republicanos. Somos monárquicos. Gostamos de ser governados por um só. Isso continua na nossa cabeça. Estamos a dias de ir votar, e agimos como se tivéssemos de escolher um de entre dois apenas. Ou votamos rosa, ou votamos laranja. Sim, o grande sádico será um desses. Somos portanto criados num registo de sadismo que abafa todos os masoquismos, isto é, todos os que sofrem em silêncio e que não têm uma força – ou política, ou económica, ou social – para romper com isso. É uma visão neurótica que trazemos do Estado Novo, de obediência e de subserviência.
Mas o masoquismo não pressupõe prazer?
Sem dúvida. Mas quando vivemos num registo de sofrimento, estamos tão confortáveis nesse sofrimento, que já não queremos outra coisa, nem sequer conseguimos vislumbrar que possa existir uma alternativa ao sofrimento. As pessoas costumam dizer que ninguém quer sofrer. Mas isso não é bem assim, porque quando não se consegue imaginar que exista qualquer coisa para além da dor, o sofrimento é tudo o que se conhece e é tudo o que se alimenta – e tudo o que se deseja.
Imagino que tudo isso aconteça num plano inconsciente. Neste momento, por exemplo, há um ar pesado de medo na sociedade portuguesa. Um medo difuso, não saberei bem dizer do quê.
Um medo abstracto, sim. Mas que não deixa de ser um medo baseado numa realidade que desilude.
E necessariamente uma inércia, porque o medo paralisa e gera uma incapacidade para agir sobre a realidade. Indo votar, por exemplo. Por que fazemos assim?
Porque somos criados numa mentira. Há uma noção de integração que na prática, muitas vezes, não passa de uma visão que vivencia e destaca um estado de orfandade.
Que mentira é essa?
É a própria noção de pátria. Pergunto-me onde ela começa. Com D. Afonso Henriques? Começa com a divisão do Mundo? Com o Império? Quando perdemos o D. Sebastião? Quando começou a pátria?
Em que medida isso é mais mentiroso que a pátria francesa ou sueca?
Não sei, teríamos de conhecer a história dessas outras pátrias.
Mas está a questionar o conceito de pátria? Pensa que ele é nefasto?
Não. Penso que é uma ideia aglutinadora que pode até ser saudável. Ou melhor dizendo: que até pode ser protectora. Mas não no nosso caso, porque toda a protecção em demasia não nos prepara para o crescimento. Isso aconteceu com as nossas monarquias, e aconteceu com Salazar e continua a acontecer com todos os governantes desde o 25 de Abril. Porque quando chegaram a Portugal os valores da república e se acabou com a monarquia, isso não significou o fim dos princípios que regiam a sociedade durante a monarquia. Muitas das figuras dominantes que reinavam, que detinham poder durante a monarquia, rapidamente despiram essas vestes para vestir as da república. Mas as pessoas eram as mesmas, e não tinham mudado. E isso repetiu-se com o 25 de Abril também. Onde está o problema?
Não há ruptura.
Isso. O vínculo, mesmo que seja subterrâneo, silencioso, ocultado, permanece.
O que explica decerto que não se façam em Portugal os julgamentos da História. Como foi o caso dos julgamentos dos crimes do Estado Novo, jamais feitos. Nessa medida, a tão grande justaposição de sedimentos de tristeza, essa retenção muito grande, contém também grandes doses de injustiça, de indignidade e de indignação. Mas a realização desses julgamentos seria purificadora, regeneradora do corpo social.
Não havendo ruptura, não há julgamento, e por isso não pode haver regeneração. Mas tem de haver condenação. O 25 de Abril foi sintomático disto que digo. Rompeu-se com o Estado Novo – eis outra ideia falsa, pois tratava-se na verdade de um Estado Velho, com gente velha, de pensamento velho –, mas não se rompeu com os problemas desse Estado. Por isso vivemos numa sociedade onde a hipocrisia se mantém, com outras formas. O que é que isto faz em termos de saúde mental? Faz com que não tenhamos a consciência de que por vezes temos mesmo de nos zangar com as pessoas que nos fizeram mal e que controlam a nossa vida.
Como no caso dos filhos relativamente aos pais?
Sim, pois na génese trata-se do mesmo fenómeno. Os pais têm muito aquela ideia de que os filhos têm problemas porque são rebeldes. Ora, a mim parece-me que hoje em dia não há grande rebeldia na juventude. O que existe é um discurso diferente sobre o que é a juventude. Os pais estão contaminados pelos fenómenos juvenis e tendem até muitas vezes a reproduzir, de forma inconsciente, os conceitos juvenis, pois essa parece-lhes uma boa forma de se manterem jovens. Mas acontece que para os filhos crescerem, os pais têm também de crescer, para que primeiro os filhos olhem para eles com admiração, enquanto os pais os protegem, mas sobretudo para que depois, quando deixam de admirá-los, ou passam a admirá-los menos, os filhos possam assumir a sua identidade própria.
Uma identidade que se constrói justamente por oposição aos pais.
Pois. É nesse momento que normalmente os filhos olham para eles com desilusão. O que não quer dizer que tenham deixado de gostar dos pais. É como com a pátria. É a mesma relação. Quando os que mandam na pátria, os governantes, não nos dão colo quando nós precisamos dele, ou quando nos tiram o colo quando não deviam, nós devemos zangar-nos. Como não o fazemos, vivemos nessa dor, numa interrogação sem respostas. E portanto, quando se tem poder, seja através da política, da paternidade ou da hierarquia numa organização profissional, há tendência para as pessoas se tornarem sádicas, para abusarem desse poder. E fazem-no exercendo o mesmo poder de que foram vítimas. E há uma perpetuação nisso, a tendência para reproduzir e aumentar isso que sofremos em silêncio enquanto não tínhamos poder. O que acontece porque há ou um vazio ou uma revolta. E porque essa revolta não é compreendida por nós, não é trabalhada, pensada, porque não temos tempo para pensar nela, que na maior parte dos casos aliás ignoramos, porque, em suma, não temos a percepção clara da sua existência.
Porque vivemos numa vertigem?
Sim, porque estamos sempre com pressa. Toda a gente diz que hoje em dia não se tem tempo para nada. Isso é outra mentira. Eu não concordo com essa ideia. Penso que há tempo para quase tudo. O tempo quando não existe é porque o gerimos mal. Somos maus gestores da nossa vida. Porque não nos respeitamos. Porque queremos fazer várias coisas ao mesmo tempo: ir ao supermercado fazer compras, ir jogar à bola com o nosso filho (num cenário idílico que de modo nenhum corresponde à maioria dos casos) e estar no Facebook ou a ver televisão.
Uma questão de prioridades que não estabelecemos?
Sim, porque não há uma capacidade pensante individual. Só existe um pensamento colectivo. E como é assim, vamos todos atrás da mesma onda. Claro que isso não nos leva a lado nenhum interessante, pelo contrário afoga-nos, que é o que está a acontecer. Por isso é que as depressões aumentaram tanto. E os suicídios.
Temos a ideia de que os suicídios aumentaram durante o ciclo governativo que agora termina. Confirma?
Não tenho dados estatísticos mas penso que houve um aumento, sim. São casos de desespero, de pessoas que se viram confrontadas com uma realidade financeira-limite, e que não conseguiram imaginar qualquer perspectiva de mudança.
Temos também a ideia de que os suicídios mais recentes em relação com a crise atingiram sobretudo as classes médias, cujo desespero se prende com a impossibilidade de manter os níveis de vida que tinham conquistado, e nem tanto os mais desmunidos economicamente, cujas necessidades práticas de sobrevivência pura e dura escapam a essa lógica de quem se matou porque perdeu o seu poder – poder de compra, designadamente, e status. Será assim?
É assim. São pessoas que perderam os seus poderes materiais, os benefícios, e a capacidade de consumo que assegurava um determinado tipo de vida, automóveis, etc. E digo isto não num sentido narcísico, não: essas pessoas sofrem, e os mais pobres, que nunca tiveram um carro, por exemplo, não compreendem o sofrimento dessas outras pessoas. É claro que elas podem vender o carro, mas isso não resolve o problema, porque a dor interna que isso acarreta – viver sem carro – é totalmente diferente da das pessoas que nunca tiveram um carro. A forma de olhar para a vida é outra, seja de uma forma filosófica, existencial ou realista. São pessoas que não têm uma estrutura mental em que possa encaixar uma existência em que passam a andar de metro ou de comboio. São quadros mentais distintos.

Esse sofrimento é muito silenciado. As pessoas ainda receiam o estigma da doença mental?
A percepção que a sociedade tem da doença mental é errada, penso que ela ainda é apreendida como uma espécie de irrealidade. E há muito preconceito, também. Quando uma pessoa fica desempregada e entra em depressão, as pessoas, para dizer a sociedade em geral, têm tendência para olhar para essa depressão como uma coisa passageira. Mas se o desemprego não é revertido e as pessoas ficam sem uma ocupação, por vezes a depressão instala-se e é muito difícil de curar. Por outro lado, as próprias pessoas não cuidam da sua saúde mental. Não fazem nenhum desporto mental, por exemplo.
Que desporto mental poderiam fazer?
Aprender a pensar. A pensar na sua forma de viver. Por que é que as pessoas em vez de irem todas para casa à mesma hora dar cabo dos nervos nos engarrafamentos, não ficam a descontrair num jardim, ou a ler, e vão mais tarde para casa? As pessoas precisam de arranjar soluções. Caminhar também um óptimo desporto mental, porque permite pensar enquanto se caminha, justamente. Mas as pessoas preferem ir para o ginásio tratar do corpo e depois passar o serão no Facebook. É preciso mudar isto.
Vivemos numa sociedade onde a hipocrisia do Estado Novo se mantém.
A crise tornou visível o sofrimento de muita gente. Quem é que o tem procurado? Com que patologias?
A crise desencadeia sofrimento, há um mal-estar social evidente, e as pessoas precisam de ajuda. Mas se eu tenho a carteira vazia, não tenho recursos para ir ao psicólogo. Nesse sentido, eu acuso todos os políticos portugueses por esse estado depressivo e melancólico do povo. Porque penso que os políticos, quando tomam decisões políticas ligeiras, sem atentar nas consequências, sem consistência, ou sem prospectiva, nós, sociedade, não conseguimos ter estabilidade interna. Enquanto a sociedade finlandesa, por exemplo, investe na educação, acredita num modelo e vai desenvolvendo todas as estratégias para o alcançar na sua forma mais ideal possível, nós, em Portugal, andamos à mercê dos ciclos governativos. Vivemos aos tropeções. Em função do ministro que vem, assim se deita por terra o que fez o ministro anterior e se começa tudo de novo. Na Saúde é a mesma coisa, como na Cultura ou noutras áreas da governação. Não há, portanto, uma acção política prospectiva, e isso cria em nós, no povo português, uma incapacidade de olhar para o futuro. E gera um quadro de saúde mental, ou neste caso de falta dela, muito preocupante. A maior parte da depressão tem sobretudo origem em fenómenos exógenos, isto é, externos às pessoas, exteriores a elas próprias.
É uma patologia social.
Sim, de raiz económica, sobretudo, que se prende com as condições de vida materiais. De quem é a responsabilidade? Obviamente que tem de ser de quem nos governa. Se as pessoas não tiverem a vivência e a percepção de que as políticas visam o longo prazo, obviamente que não se envolvem, o que explica o desinteresse que evidenciam pela política e as enormes taxas de abstenção. Por outro lado, se os políticos mentem, é óbvio que as pessoas desacreditam.
Como vê a relação entre a saúde da mente e a saúde do corpo?
Corpo e mente não estão dissociados. Na nossa sociedade temos tendência para os dividir. O nosso corpo define-nos. Existimos com o corpo mas somos a mente. Uma mente funcional reconhece o corpo tal como ele é. E quem nos conhece bem, conhece-nos até mesmo de costas, porque nós existimos com o nosso corpo.
Há quem não reconheça o seu corpo como sendo seu.
Claro. Mas nesse caso estamos no domínio da patologia. Uma pessoa anoréctica não se reconhece naquele corpo e no entanto ele existe realmente. É um corpo magro, destrunido, à procura de calor, à procura de amor. E aquela mente recusa-se a olhar para aquele corpo. Porque se olhar para ele tem de o encher de amor e de afeto. Mas se a pessoa não teve o amor suficiente dos pais, se não foi acompanhada por eles, a forma inconsciente de lidar com isso é não ver o seu corpo. E por isso mutila-o, estraga-o, auto-destrói-se, porque essa é a única forma que tem de o sentir.
O mesmo acontece com os corpos disformes dos obesos mórbidos, que extravasam em muito os quadros genéticos. São ou não também doentes da sociedade?
São, embora não se vejam como tal. Vêem-se como diferentes. Mas na raiz da obesidade mórbida está uma falta afetiva e a falta, também, em reconhecê-la.
Se afastarmos as doenças por predisposição genética e as doenças contagiosas, podemos ou não afirmar que na raiz da doença está muitas vezes uma mente doente?
Se eliminarmos tudo isso, penso que a mente pode desenvolver, interferir, produzir, ampliar, condicionar, fazer ramificar determinadas doenças. Há características psicológicas comuns do ser humano que quando estão distorcidas ou ampliadas – a ansiedade, a angústia, a melancolia – podem, em casos extremos, afetar o nosso funcionamento fisiológico.
A Olhar – Associação pela Prevenção e Apoio à Saúde Mental
defende o acesso pela comunidade em geral aos mais variados processos terapêuticos da Psicologia. A consciência do crescimento de um profundo mal-estar civilizacional requer uma intervenção preparada – em que os psicólogos clínicos podem ter um papel fundamental e a psicoterapia, como veículo eficaz, pode tomar um lugar de charneira e de igualdade perante outros discursos clínicos de cura, assim haja vontade política. A Olhar pratica preços sociais em consultas de psicologia, neuropsicologia, psiquiatria, pedopsiquiatria, terapia da fala e orientação escolar. Integrada por uma equipa multidisciplinar de mais de duas dezenas de pessoas que, de forma profissional e articulada entre si, desenvolvem ações de intervenção social, a Olhar considera urgente um investimento sem reservas na saúde mental dos portugueses.
Pouca gente fala disso, no entanto. Não há pensamento sobre isso.
Muitas patologias derivam dessa ausência de pensamento sobre a nossa própria existência. Porque a sociedade, os pais, a família, a escola, não nos ensinam a viver. A única coisa que nos ensinam é a ser soldadinhos da vida. Ensinam-nos a vestir uma farda qualquer que, por milagre, faria de nós adultos com sucesso, para satisfazer as nossas próprias falhas narcísicas, ou as dos nossos pais, ou as da família. Conhece muitas pessoas que tenham ensinado aos filhos o significado da vida? O que é estar vivo? O que é existir? Por que é que ninguém nos ensina a tirar o maior partido da nossa existência? Conhece alguma escola em que isso seja ensinado?
Julgo que isso deriva de um equívoco sobre a própria noção de existência humana. A que me parece que se acrescenta um outro equívoco: sobre a noção de ser religioso, que a generalidade das pessoas confunde com as diferentes doutrinas religiosas.
Penso que o ser humano é religioso por natureza. Religioso no sentido de precisar de uma história. É um ser que precisa de criar uma história para existir. Porque se não a tiver, tem o céu por cima e tem a terra por baixo, e morre sufocado. Todos somos religiosos. Até mesmo o ateu, que nessa oposição à história de Deus arranja a sua história para poder suportar a existência. Deus existe no nosso imaginário ou não existe no nosso imaginário. Mas ambas as coisas são escritas pelo nosso discurso sobre elas. Se não tivéssemos palavra, não tínhamos Deus, porque não poderíamos verbalizá-lo. Precisamos dos deuses, sim. Do Deus monoteísta mais comum em Portugal ou de um outro qualquer. A fé é algo que precisamos de ter em nós para acreditar que existimos. Porque a nossa presença só pode ser comprovada através de algo que nos transcende, já que ninguém que seja saudável quer ser Deus.
Houve, nalguns casos, uma transferência da fé em Deus pela fé noutras coisas, em coisas que por vezes não correram bem, como por exemplo o comunismo. E agora vemos incontáveis pessoas mais velhas a viver nesse enorme vazio, embora se digam ateias e afirmem viver muito bem com isso. Bem vemos que não é verdade.
O 25 de Abril foi uma libertação, foi a oportunidade de romper com os dogmas ou com os valores que as pessoas tinham antes de 1974. Essa libertação foi tanto mais eufórica quanto mais repressiva era a sociedade do Estado Novo. Essa sociedade tinha um registo neurótico, claramente, assente na obediência, na subserviência, na aceitação, na passividade. Penso que estamos ainda a aprender a ser diferentes disso e que procuramos um caminho para sair desse quadro neurótico, porque a psicopatia não nos permite viver uma existência plena. Penso que o que fazemos hoje em Portugal é tentar romper com o fardo antigo das experiências impostas por forma a sermos mais autónomos. Mas não é fácil, claro.
Acuso todos os políticos portugueses pelo estado depressivo e melancólico do povo.
Aflige-me muito esse vazio em que está a geração mais velha, a dessas pessoas que em muitos casos perderam a fé em Deus, e depois perderam a fé na política, e outras perderam já toda a sua família, e algumas não têm filhos, etc. O sofrimento em que vivem magoa-me.
A partir do momento em que perdi a minha fé, e perdi a minha convicção política, e perdi a minha família, e os meus filhos estão ocupados com os seus próprios problemas ou na construção dos seus impérios, posso ficar à espera que algo aconteça. Algo que venha de fora, mas cuja espera pode eternizar-se para além da nossa própria existência. Essa espera é normalmente acompanhada por uma grande desilusão e por uma sensação de fracasso e de inutilidade.
Essa tão grande desilusão pode ou não gerar a doença? A doença fisiológica, também?
Nessa fúria, de desprezo pela vida, pela sociedade, pela relação com o outro, as pessoas podem efetivamente transformar-se em receptáculos de doenças.
O vazio abre espaços. Um vazio que contudo o dinheiro, ou a liquidez, não enchem, por mais que se tenha de um ou de outro.
Há também pessoas que procuram ludibriar-se através de uma série de recursos, na minha óptica fantasiosos, e por vezes excessivos, como sejam fazer desporto, ir aprender a dançar, fomentar encontros pseudo-românticos, etc. Mais construtivo será a pessoa enfrentar esse vazio e fazer uma análise da sua vida e ir buscar o seu patrimônio mais interessante, que por vezes pode ter sido anulado, ou posto de parte, por circunstâncias várias da vida. Ou seja, em vez de se ficar na desilusão de que não há nada a fazer e de que se está irremediavelmente só, pensar no que é que na vida nos empolgou, ou em que é que fomos especialmente bons e que se calhar pusemos de lado. Essas pessoas de mais idade também não tiveram quem as ensinasse a viver, e por isso olham para a velhice como uma idade em que não há nada para elas fazerem, em que nada têm de fazer. Erro. Há coisas para fazer.
Mas como fazer quando essas pessoas estão deprimidas?
É preciso que percebam que está ao seu alcance não permitir que a sua mente invada as suas vidas com a depressão. Que sejam capazes de aceitar que o seu tempo é o presente. Que entendam, também, que a solidão é a natureza da sua individualidade. O ser humano está condenado à solidão da sua própria individualidade. Podemos partilhar a nossa vida com outros, mas nascemos, vivemos e morremos sós.
Mas e quando a solidão pesa demasiado às pessoas e ocupa todo o seu vazio?
Elas precisam de saber que podem tornar essa solidão partilhável. Abrindo-se aos outros, à comunidade, aos vizinhos. A nossa solidão pode ser partilhada com a solidão dos outros. Há nisso, nas solidões juntas, uma troca, que reduz o sentimento de abandono. Mas para isso é necessário que as pessoas accionem os seus próprios mecanismos mentais, as suas convicções, os gostos que têm pela vida, procurando desenvolver tudo isso.
Não estará a ser demasiado optimista? Acha isso viável relativamente a pessoas que viveram a sua vida na mentira – mentindo a si próprias sobre quem são, por exemplo?
Mudar de atitude só é possível se as pessoas se despirem da mentira que lhes ensinaram. Vou dar um exemplo: em Portugal há uma mentira que continua a ser pensada e dita a torto e a direito: “os filhos cuidam dos pais”. Erro. As pessoas sabem que isso não é verdade, até porque já foram filhos e deixaram os seus pais, de quem também não cuidaram. Estou a generalizar, claro. Por outro lado, escusam de dizer aquilo que normalmente se diz: “que ingratos que são os meus filhos, eu que lhes dei tudo e que fiz tudo por eles”. Erro, e uma mentira, porque os pais não dão tudo aos filhos e por vezes até lhes faltam. Todas estas mentiras e hipocrisias que são ditas e reproduzidas na nossa sociedade como se fossem verdadeiras, são extremamente nocivas. A maioria dos pais gosta que os filhos continuem a prestar-lhes vassalagem para além da sua emancipação, gostam que os filhos continuem a ir almoçar com eles aos domingos e que continuem a ir à sua casa pedir aquelas bênçãos às figuras maternas e paternas. Há famílias que não fazem isso e que são mais saudáveis do que as que fazem. Por outro lado ainda, os pais que não se habituaram à presença dos filhos – uma presença quase sempre subserviente – tornam-se mais depressa autónomos. Os outros, que são a maioria, ficam desmunidos, e quando os filhos emigram, por exemplo, entram num registo depressivo: ligam a televisão o dia inteiro, andam de roupão em casa, por vezes deixam de tomar banho, começam a comer com o tabuleiro no colo ou na cama, e isso instala-se muito rapidamente.
Em que medida uma psicoterapia ou um acompanhamento psicológico pode ajudar essas pessoas a mudar?
Não se consegue mudar o pensamento de pessoas de alguma idade já, mas consegue-se mudar as suas vidas, ajudando-as a criar estratégias de compensação a partir de coisas que elas têm dentro de si, desejos que por vezes estão escondidos, ou que elas não vêem. A minha paciente mais velha tem 94 anos. É uma pessoa lúcida, claro, já que uma terapia em contexto demencial não seria possível.
Como alargar isso à população indiferenciada numa sociedade doente, com velhos deprimidos, e em que a maioria vive uma realidade material extremamente difícil?
Eis uma outra mentira, ou falácia social, se preferir. Obviamente que a sociedade, até por uma questão de lobbies médicos e mercantilistas, fomenta a prescrição médica em detrimento da psicoterapia. Não estou a dizer que a prescrição médica não é necessária em muitos casos, porque é, designadamente em depressões graves, mas a verdade é que existe ainda na nossa sociedade uma leitura errada sobre o valor real da psicologia. Muita gente pensa que a psicologia não ataca a doença mental com a mesma potência que os medicamentos. Acontece que pelo facto de ser uma terapia que assenta no diálogo entre o doente e o psicoterapeuta, não significa que tenha propriedades curativas negligenciáveis.
E no entanto, dizem-nos que vivemos na era da comunicação. E andamos todos muito contentes por podermos ver-nos e falar através da Internet. Mas bem vemos que isso não resolve o sofrimento gerado pela solidão concreta.
Eu noto que a comunicação humana está neste momento muito debilitada. Dizemos que vivemos na era da comunicação, falamos muito da proximidade com o outro, mas essa proximidade não é real. Nós precisamos do contacto com o outro, é essa a natureza do ser humano. Um contacto que não é só físico. É o contacto da presença e do prazer de estar com o outro. O que eu sinto em contexto terapêutico é que esse outro incomoda muitas vezes, porque não há uma tolerância à diferença desse outro. Mas as pessoas estão muito sós, e estar só tira-nos defesas e inibe estratégias saudáveis de lidar com os outros. Por isso as pessoas arranjam muitas vezes animais domésticos. Porque eles são dedicados. E são-no porque têm uma relação de dependência. Mas os seres humanos são mais complexos.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Natal de 2016:

FELIZ NATAL para todos!!! o mundo colocou o papai noel na manjedoura de Jesus Cristo,nosso
único redentor e salvador.Aqui em meu lar não há árvore de natal nem papai noel;há uma linda manjedoura com Jesus Cristo,Maria e José.Ultrajaram o verdadeiro significado natalino e desconhecem e negam Jesus.Óh,raça de víboras e escorpiões,até quando finjirás não aceitar o
verdadeiro e puro amor e sentido da vida,abraçando a perdição.THE TIME HAS COME-THE
TIME HAS COME!!!MARANATHÁ-MARANATHÁ!!!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Os Apóstolos dos Últimos Tempos:


Nossa Senhora, esmagadora e aniquiladora de Satanás e os Apóstolos dos Últimos Tempos
11.12.2015 - Para vencer, esmagar e aniquilar satanás, ou seja, para triturá-lo por todas as formas. As vitórias de Nossa Senhora sobre o demônio não são superficiais, como que “per summa capita”.

Se Ela vence, é para esmagar e aniquilar; e estas são duas expressões que significam que o adversário será reduzido a pó. Este é o espírito de Nossa Senhora. Não se trata de obter uma pequena vitória, por assim dizer “acadêmica”, mas sim de aniquilar e esmagar.

Estas são duas palavras muito apropriadas: o esmagado não está apenas jogado por terra, mas sob o peso de uma derrota tal, que perde a própria forma; está triturado; e o aniquilamento é algo ainda pior, porque o aniquilado deixa de existir, é reduzido a “nihil”, a nada, reduzido a pó; pior do que pó, reduzido a vácuo. Assim é como Nossa Senhora vence.

Detenhamo-nos na expressão “em certo sentido, o próprio Deus”. Vale dizer que, apesar de Deus ser onipotente e de todo o poder de Nossa Senhora não ser senão o poder DELE, de alguma forma o demônio (aparenta) ter mais medo de Maria Santíssima do que de Deus.

Compreende-se então que seja muito eficaz na luta contra o demônio não falar apenas de Deus, mas também, com toda a imensa evidência que merece, da Santíssima Virgem.

O ponto que o deixa mais acabrunhado e esmagado é o fato de sê-lo por Nossa Senhora.

“Não que a ira, o ódio, o poder de Deus não sejam infinitamente maiores que os da Santíssima Virgem, pois as perfeições de Maria são limitadas. Mas, em primeiro lugar, Satanás, porque é orgulhoso, sofre incomparavelmente mais, por ser vencido e punido pela pequena e humilde escrava de Deus, cuja humildade o humilha mais que o poder divino”.

Deus quer então vencer Satanás por meio de Nossa Senhora. As suas graças são concedidas sempre por meio d'Ela, porque assim Ele vence melhor o demônio.

Satanás é esmagado, é humilhado por Aquela cujo poder ele não quis reconhecer no Céu, e foi exatamente (segundo conceituados teólogos) em consequência dessa recusa que apostatou


Por meio de Nossa Senhora a vitória de Deus é mais completa.

Quando se perguntou a marinheiros da esquadra turca de Lepanto por que, em determinado momento, se sentiram tomados de pânico e fugiram, responderam que viram no céu uma senhora admirável, que os olhava tão terrivelmente que não puderam resistir.

É o importante traço distintivo da devoção a Maria, que São Luís Grignion nos aponta uma vez mais: Ela, o terror dos demônios.

É portanto sumamente eficaz na luta contra o poder das trevas revestir-se, por assim dizer, de Maria Santíssima. É o modo seguro de se conseguir as vitórias para Ela.

Os Santos dos Últimos Tempos

No tópico 54, São Luís Grignion começa a tratar, pela primeira vez, dos santos que, suscitados por Nossa Senhora, florescerão nos últimos tempos da Igreja, e que serão de uma santidade maior do que os de qualquer tempo anterior. São Luís Grignion, em tom profético, trata longamente destes Santos dos Últimos Tempos.

(São Luis Grignion escrevendo o Tratado da Verdadeira Devoção Saint-Laurent-sur-Sèvre, França)

“Mas o poder de Maria sobre todos os demônios há de patentear-se com mais intensidade nos últimos tempos, quando Satanás começar a armar insídias ao seu calcanhar, isto é, aos seus humildes servos, aos seus pobres filhos, os quais Ela suscitará para combater o príncipe das trevas” (tópico 54).

Aparece aqui um terceiro elemento: haverá pessoas que, suscitadas por Maria de modo especial, farão a guerra ao demônio. Contra essas almas, Satanás levantará a mesma guerra que urde contra Nossa Senhora. Esses escravos de Maria, pela submissão e união a Ela, serão o Seu calcanhar, alvo das insídias do demônio, mas também instrumento para aniquilá-lo.

“Eles serão pequenos e pobres aos olhos do mundo, e rebaixados diante de todos, como o calcanhar; calcados e perseguidos como o calcanhar, em comparação com os outros membros do corpo” (tópico 54).

A vocação do apóstolo de Nossa Senhora é ser como que o calcanhar do gênero humano, que o pisa e anda calcando-o.

A vocação daqueles que são apóstolos de Maria Santíssima consiste em servir de calcanhar. De calcanhar ativo, que retribui os golpes.

Quando consideramos a nossa situação de apóstolos da Contra-Revolução, devemos reconhecer que ela tem muito de “calcanharesco”.

Se não tivéssemos escolhido por nosso sinal o “tau”, escolheríamos o calcanhar. O calcanhar tem uma sublime missão. Se é bem verdade que ele é calcado, é dele a glória de calcar.

E há uma cabeça que foi feita para ser por ele pisada: a de Lúcifer. Devemos estar à procura dessa cabeça, para pisá-la, com a graça de Nossa Senhora.

“Mas, em troca, eles serão ricos em graças de Deus, graças que Maria lhes distribuirá abundantemente. Serão grandes e notáveis em santidade diante de Deus, superiores a toda criatura, por seu zelo ativo” (tópico 54).

São Luís Grignion faz um outro prenúncio: os apóstolos dos últimos tempos serão santos excepcionais, como não há em nossa época e não houve no passado.

Dizendo “superiores a toda criatura”, envolve pois as do passado. Serão Santos maiores do que todos os dos séculos passados.

Deverão florescer no futuro, mas de sua santidade e de sua vocação participam desde já todos aqueles que batalham nesta mesma luta contra o poder das trevas.

(O profeta Santo Elias trucidando os falsos profetas de Baal foi uma prefigura dos Apóstolos dos Últimos Tempos. Estátua no Monte Carmelo, Terra Santa)

“... e tão fortemente amparados pelo poder divino que, com a humildade de seu calcanhar, e em união com Maria, esmagarão a cabeça do demônio e promoverão o triunfo de Jesus Cristo”

É o final da profecia: haverá um período de justiça, alcançado por estes apóstolos. Eles esmagarão a cabeça do demônio.

Vemos, portanto, as características fundamentais desses apóstolos, postas por São Luís Grignion:

a) É uma raça espiritual, oposta e irredutivelmente adversa a Lúcifer e à raça deste;

b) São homens que viverão num estado de perseguição constante;

c) Serão chamados por Maria Santíssima, de um modo especial, a uma grande dedicação à causa da Igreja;

d) Acabarão por vencer, porque esmagarão a cabeça do demônio.

São os traços distintivos dos Santos dos Últimos Tempos. Mas, como estes tempos já começaram (segundo a linguagem de São Luís Grignion, a sua época estava já dentro da perspectiva dos últimos tempos), os santos de nossa época estão já numa espécie de relação com os dos últimos dias da Igreja.

O santo de nossa época é, pois, o tipo do santo dos Últimos Tempos, descrito por São Luís Grignion, que ele apresenta como um fruto característico da devoção a Maria Santíssima.

Há, portanto, uma conexão muito grande entre os últimos tempos e a nossa época, entre os Santos dos Últimos Tempos e os batalhadores da causa da Igreja em nossos dias.

Os Apóstolos dos Últimos Tempos

São Luís Grignion nos fala agora especificamente dos Apóstolos dos Últimos Tempos:

“Deus quer, finalmente, que Sua Mãe Santíssima seja agora mais conhecida, mais amada, mais honrada, como jamais o foi” (tópico 55).

Dizíamos acima que, nos últimos tempos, Nossa Senhora seria mais conhecida e mais amada. Neste tópico São Luís Grignion nos afirma que é agora, isto é, no tempo dele. Portanto, sua época já participa dos últimos tempos.

“E isto acontecerá, sem dúvida, se os predestinados puserem em uso, com o auxílio do Espírito Santo, a prática interior e perfeita que lhes indico a seguir” (tópico 55).

Eis o papel histórico da devoção que prega. É o meio pelo qual os predestinados da graça podem adquirir este espírito e colocar-se de acordo com a sua vocação. É a devoção que até aí conduz.

“E, se a observarem com fidelidade, verão então claramente, quanto lho permite a Fé, esta bela Estrela do Mar, e chegarão a bom porto, tendo vencido as tempestades e os piratas. Conhecerão as grandezas desta Soberana, e se consagrarão inteiramente a seu serviço, como súditos e escravos de amor” (tópico 55).

Será que antes de São Luís Grignion – poder-se-ia perguntar – ninguém conheceu Nossa Senhora?

Maria Santíssima não levou antes dele ninguém a bom porto? Será que Ela não fez manifestar na Igreja, antes dele, as suas grandezas?

Seria absurdo admiti-lo. Por que então ele apresenta estas coisas como típicas do seu espírito? É porque elas serão mais reais nas almas formadas em sua escola de espiritualidade do que em qualquer outra.

O que já é verdade de todos os santos, de todos os que seguem a doutrina da Igreja, sê-lo-á muito mais ainda dos que seguirem a espiritualidade de São Luís Grignion.

Ele aqui apenas insinua o que irá dizer mais tarde: a devoção que ensina e os princípios mariais que inculca não são acessíveis ao conhecimento de qualquer homem.

Conhecer bem Nossa Senhora, praticar esta devoção, é uma predestinação, é uma graça especial, não comum. Esta não é uma devoção para qualquer pessoa, mas apenas para alguns predestinados.

É uma graça especialíssima, que Deus reserva para os últimos tempos. Por isso, mais tarde ele dirá que, para compreender esta devoção e praticá-la verdadeiramente, é preciso ter recebido um chamado muito especial.

O restante do tópico contém uma série de promessas sobre as quais não há comentários especiais a fazer.

Serão como flechas

"Mas quem serão esses servidores, esses escravos e filhos de Maria?“ (tópico 56).

Aqui segue a descrição dos Apóstolos dos Últimos Tempos:

“Serão ministros do Senhor, ardendo em chamas abrasadoras, que lançarão por toda parte o fogo do divino amor. Serão sicut sagittæ in manu potentis (Sl. 126,4) flechas agudas nas mãos de Maria todo-poderosa, pronta a transpassar seus inimigos” (tópico 56).

A devoção a Maria Santíssima, segundo São Luís Grignion, está aliada à combatividade. Não se trata apenas de fazer “cordeirinhos de Cristo Rei”.

“filhos de Levi, bem purificados no fogo das grandes tribulações, e bem colados a Deus” (tópico 56).

Serão o bom odor de Jesus Cristo para os desapegados

“... e que serão em toda parte, para os pobres e pequenos, o bom odor de Jesus Cristo; e para os grandes, os ricos e os orgulhosos do mundo, um odor repugnante de morte” (tópico 56).

O que são, na linguagem da Escritura, os pobres e os pequenos? Não são os sequazes dos demagogos modernos.

Ser pobre e pequeno é ser pobre de espírito, é ser desapegado. Para esses é que é bom odor a presença dos servidores de Maria.

Serão o terror do demônio.

“Serão nuvens trovejantes” (tópico 57).

Não são zéfiros nem brisas amenas, que trazem o bom odor das sensações emocionantes e românticas para as almazinhas adocicadas. São nuvens tonitroantes, que voam pelos ares.

A imagem é majestosa, grandiosa. Reflete, em contraposição à suavidade de certo tipo de religiosidade sentimental, a grandeza, o poder e a cólera de Deus. A nuvem trovejante é a nuvem carregada, na qual o raio se forma, e da qual é lançado.

“... esvoaçando pelo ar ao menor sopro do Espírito Santo” (tópico 57).

“... que, sem apegar-se a coisa alguma nem admirar-se de nada, nem preocupar-se, derramarão a chuva da palavra de Deus e da vida eterna. Trovejarão contra o pecado” (tópico 57).

“... e lançarão brados contra o mundo, fustigarão o demônio e seus asseclas, e, para a vida ou para a morte, transpassarão lado a lado, com a espada de dois gumes da palavra de Deus (cfr. Ef. 6, 17), todos aqueles a quem forem enviados da parte do Altíssimo” (tópico 57).

São batalhadores eficacíssimos, que têm a espada de dois gumes da palavra de Deus.

Os apóstolos que São Luís Grignion assim descreve são homens de um poder verdadeiramente terrível, que causam ao demônio um medo capaz de desfazer as suas tramas. Argutos, perspicazes e vigorosos, esses apóstolos são o protótipo do verdadeiro católico.

Fonte: http://aparicaodelasalette.blogspot.com.br - imagens www.rainhamaria.com.br

domingo, 20 de dezembro de 2015

Os 5 Generais Presidentes:


Autor : jornalista CARLOS CHAGAS

"Erros foram praticados durante o regime militar, eram tempos
difíceis. Claro que, no reverso da medalha, foi promovida ampla
modernização das nossas estruturas materiais. Fica para o historiador
do futuro emitir a sentença para aqueles tempos bicudos."

Mas uma evidência salta aos olhos: a honestidade pessoal de cada um!

Quando Castelo Branco morreu num desastre de avião, verificaram os
herdeiros que seu patrimônio limitava-se a um apartamento em Ipanema e
umas poucas ações de empresas públicas e privadas.

Costa e Silva, acometido por um derrame cerebral, recebeu de favor o
privilégio de permanecer até o desenlace no palácio das Laranjeiras,
deixando para a viúva a pensão de marechal e um apartamento em
construção, em Copacabana.

Garrastazu Médici dispunha, como herança de família, de uma fazenda de
gado em Bagé, mas quando adoeceu precisou ser tratado no Hospital da
Aeronáutica, no Galeão.

Ernesto Geisel, antes de assumir a presidência da República, comprou o
Sítio dos Cinamonos, em Teresópolis, que a filha vendeu para poder
manter-se no apartamento de três quartos e sala, no Rio.

João Figueiredo, depois de deixar o poder, não aguentou as despesas do Sítio do Dragão, em Petrópolis, vendendo primeiro os cavalos e depois a propriedade. Sua viúva, recentemente falecida, deixou um apartamento em São Conrado que os filhos agora colocaram à venda, ao que parece em estado de lamentável conservação.

OBS: foi operado no Hospital dos Servidores do Estado, no Rio.

Não é nada, não é nada, mas os cinco generais-presidentes até podem
ter cometido erros, mas não se meteram em negócios, não enriqueceram
nem receberam benesses de empreiteiras beneficiadas durante seus governos.

Sequer criaram institutos destinados a preservar seus documentos ou
agenciar contratos para consultorias e palestras regiamente remuneradas.

Bem diferente dos tempos atuais, não é?

Pois é... o pior é que ninguém faz nada !

Acrescento: nenhum deles mandou fazer um filme pseudo biográfico, pago com dinheiro público, de auto-exaltação e culto à própria personalidade!

Nenhum deles usou dinheiro público para fazer um parque homenageando a própria mãe.

Nenhum deles usou o hospital Sírio e Libanês.

Nenhum deles comprou avião de luxo no exterior.

Nenhum deles enviou nosso dinheiro para "ajudar" outro país.

Nenhum deles saiu de Brasília, ao fim do mandato, acompanhado por 11 caminhões lotados de toda espécie de móveis e objetos roubados.

Nenhum deles exaltou a ignorância.

Nenhum deles falava errado.

Nenhum deles apareceu embriagado em público.

Nenhum deles se mijou em público.

Nenhum deles passou a apoiar notórios desonestos depois de tê-los chamado de ladrões.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Carnaval 2016:

Já adverti sobre o carnaval de 2015 aqui no blogue.Agora novamente o faço em nome de Deus.
Não brinquemos este terrível desfile diabólico.2016 não será de modo algum um ano bom.
Que com pressa e com urgência nos convertamos.A HORA chegou.A decisão é de cada um de
nós.Que Deus tenha piedade de nós.Amém.Jacob.

Foram necessários 6 exorcismos:

Combate ao demônio: Foram necessários seis exorcismos para resgatar Aldina das trevas. Afinal, porque razão o demônio a perseguiu?


Aldina tinha uma vida de luxo e uma carreira sólida, mas sentia--se vazia. Durante 10 anos, procurou respostas e um sentido para a vida em médiuns, terreiros e astrólogos – o que, acredita, abriu as portas ao demônio. Aos 33 anos, viveu um autêntico filme de terror e foi diagnosticada com esquizofrenia, mas só os exorcismos a curaram.

Aldina ficou assustada. Da terceira vez que foi ao terreiro e a seguir a um ritual, os médiuns começaram a incorporar espíritos. Naquele dia, os homens estavam vestidos de dráculas e as mulheres de prostitutas. Fumava-se e bebia-se muito. Tudo diferente da primeira vez, em que os mesmos médiuns apareceram vestidos de branco e o ambiente “parecia encantador”. No momento em que quis ir embora para não voltar mais, uma força sobrenatural empurrou-a contra uma parede. “Voei, não sei como aconteceu.”

Aldina nunca teve razões para se queixar da vida. Construiu uma carreira sólida como designer de moda e chegou a gerir equipas de design em empresas de renome. Ia a festas, viajava pelo mundo inteiro, tinha amigos em toda a parte, frequentava os melhores ginásios e os melhores restaurantes. Gastava toneladas de dinheiro em roupa e maquilhagem. “Vivia a vida intensamente.” Mas, ao final do dia, depois das festas e dos copos, era o vazio. “Achava ter tudo e, afinal, não tinha nada.”

Durante 10 anos tentou encontrar-se em todo o tipo de espiritualidades para fugir ao vazio. Fez ioga e reiki e, pelo meio, passou pelo consultório de dezenas de médiuns, astrólogos e cartomantes.


Entrou em centros espíritas e terreiros. Era batizada, dizia-se “católica não praticante”, mas não sabia que a Igreja proíbe essas práticas.

Tinha fé e acreditava em Deus. Talvez por isso, e no meio da procura pelo sentido da vida, rejeitou sempre tudo o que estivesse ligado ao satanismo. “Nunca me meti em magia negra porque isso chocava com a minha ideia de bem e de fé, mas o resto achava inofensivo e até considerava que era divino e compatível com o meu catolicismo. Não via mal nenhum nas coisas.”  

A certa altura, frequentou um centro espírita durante meses – um pavilhão onde, uma vez por semana, se reuniam centenas de pessoas e trabalhavam dezenas de médiuns, entre eles médicos, professores e enfermeiros. Gente instruída e de classes sociais elevadas. Ali, misturavam-se imagens católicas, de Jesus e de santos, e elementos “estranhos e supersticiosos”. E não se pagava nada. “A maioria das pessoas considerava-se católica, como eu”, recorda Aldina.

Com o tempo, foi acumulando livros nas estantes. “Como gosto de ler e de estudar, comprava tudo sobre ocultismo e espiritualidade.” Chegou a ter mais de 70 obras em casa, a maioria sobre filosofias ligadas ao movimento Nova Era – criado nos anos 1960 e que funde teologia, metafísica oriental e crenças espiritualistas. Muitas das videntes que consultou eram charlatãs e isso tornou-se evidente logo na primeira consulta. Outras, porém, conseguiram seduzi-la: “Tocavam em pontos chave da minha vida ou descreviam acontecimentos passados que só eu sabia.”

A procura pelo sobrenatural acentuou-se com a morte do pai. Queria saber se ele estava em paz. Uma das videntes dizia falar por ele e imitava características da voz e gestos na perfeição.

Sinais do demônio

Em Agosto de 2010, poucos dias depois de fazer 33 anos e a seguir a um curso ligado à Nova Era, Aldina teve a primeira perturbação diabólica: sentiu uma presença constante e forte. De noite, não dormia com medo e, de dia, era perseguida por um peso “extraordinário, como se carregasse o mundo às costas”. Por esses dias, começaram os pesadelos. “Tão fortes, que acordava aos gritos.”


De regresso de umas férias e à chegada ao Porto, entrou numa igreja. Pediu ajuda a Deus. E o que se seguiu, garante Aldina, foi “uma batalha contra o mal”. As manifestações passaram a ser quase diárias: “Ficava com uma força sobrenatural, falava em línguas estranhas, dava arrotos fortíssimos, o cabelo ficava em pé e todo embaraçado, a barriga inchava ao ponto de parecer grávida de meses, não suportava olhar para a cruz de Cristo.”

Com os primeiros sintomas, chegaram acidentes constantes e problemas no trabalho. Os pesadelos pioraram e, de noite, via vultos no quarto: “Os primeiros meses foram terríveis.” Nessa altura, trabalhava como freelancer e já não conseguia segurar as encomendas. Tentava disfarçar, dizia que estava doente. Se contasse o que sentia, o mais certo era as pessoas “não entenderem”. Tudo o que pensava era em recorrer a um exorcista, mas a família insistia que fosse a um psiquiatra, convencida de que poderia ser um caso de esquizofrenia. Tinha a certeza de que não era isso: “Já viu alguém enlouquecer de um dia para o outro? Ainda assim, fui.” O médico receitou-lhe medicação para a doença, mas Aldina diz que nunca a tomou. Ainda a tem, intacta, em casa. “Tomei só algumas vitaminas.”

Preferiu a ajuda de um padre, mas o primeiro a que recorreu não a “entendeu”, apesar de até ter tido uma “reacção” diabólica mesmo à frente dele. Até que outro padre lhe falou do exorcista de Lamego.

Nessa altura, em 2011, o padre Sousa Lara atendia sem marcação, um dia por semana. Fez-se à estrada e, assim que encarou com ele, teve uma crise. O caso foi imediatamente considerado grave: “Nesse dia, necessitei de várias pessoas a segurarem em mim.”


A libertação Foram precisos quatro exorcismos iniciais e, passados alguns meses, mais dois. Seis sessões para convencer o demônio a ir-se embora. O exorcista receitou-lhe trabalho de casa: ir à missa, rezar o terço e a oração de libertação todos os dias e confessar-se no mínimo uma vez por mês. “Deveria viver em estado de graça para que Deus pudesse agir totalmente. E se deixarmos brechas, como confissões mal feitas, dificilmente ficamos curados”, explica Aldina.

Há casos, como contou nas páginas anteriores o padre Sousa Lara, em que os exorcizados ficam completamente inconscientes durante as sessões. Mas os exorcismos de Aldina não foram assim: “Estava consciente, mas não conseguia controlar os meus movimentos e o que dizia.” No fim de cada sessão, experimentava sempre o mesmo: “Sentia-me temporariamente aliviada, mas com o corpo muito dorido, como se tivesse feito exercício físico intenso.”

Para conseguir libertar-se, teve de mudar de vida. Deixou de viver com o namorado, com quem já partilhava casa há anos: “Caso contrário, não me poderia confessar.” Para a Igreja, a coabitação antes do casamento é pecado. “Passei a querer ser obediente e fiel ao meu batismo e hoje entendo perfeitamente o motivo deste pedido da Igreja.

Os planos de Deus são perfeitos, mas nós, infelizmente, nas últimas gerações, achamos que vale tudo. Há cada vez menos casamentos que duram toda a vida porque estamos a viver uma geração egoísta”, diz. Se no início estranhou ser católica praticante, agora a Igreja entranhou-se: “Vivo tudo mais intensamente".

Compreendo a graça de um casamento católico, do que é ser-se um sacerdote ou consagrado, do que são os sacramentos da Igreja na nossa vida. Tem sido uma longa e maravilhosa caminhada. Há males que vêm por bem.”

E, afinal, porque razão o demônio a perseguiu? Aldina está convencida de que “muitas portas espirituais” se abriram ao longo de uma década entre videntes, terreiros, espiritismos e adivinhações. Já passaram mais de três anos desde o fim dos exorcismos e não voltou a ter ataques. “Tive a graça de ser resgatada, mas quantos não se salvarão?”

Fonte: www.ionline.pt

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Nota de www.rainhamaria.com.br

Por Dilson Kutscher

Somente para lembrar aos católicos, que o demônio é um inimigo poderoso. Nunca o substime, achando que será fácil o combate contra as forças das trevas.

Segundo os exorcistas, o demônio é muito inteligente, tenta sempre enganar quem lida com ele.

Satanás oferece grande resistência aos verdadeiros evangelizadores que através do mundo inteiro tentam levar aos pecadores, aos perdidos, a mensagem de Salvação em Jesus.

O Apóstolo São Paulo afirma em (I Ts 2,18) onde ele escrevendo àquela igreja e explicando por que ele não havia ainda voltado ali, diz o seguinte:

"Por  isto quisemos ir até vós (pelo menos eu, Paulo, não somente uma vez, mas duas), contudo Satanás nos barrou o caminho".

O verdadeiro 'triunfo' do demônio, porém, é que ele está "sempre escondido" e a coisa que mais deseja é que não se "acredite na sua existência". Ele "estuda a cada um de nós, nas suas tendências para o bem e para o mal, e depois suscita as tentações", aproveitando-se das nossas fraquezas.

Disse Santo Afonso de Ligório: "A vida presente é uma guerra contínua com o inferno, na qual corremos, a cada instante, o perigo de perder a Deus e a nossa alma".

São Ambrósio dizia que na terra só caminhamos sobre ciladas armadas por nossos inimigos demoníacos a fim de nos roubarem a graça divina.

Quem conhece a vida do Padre Pio sabe bem o quanto o ele teve de lutar, incessantemente, contra o demônio; e quantos sofrimentos e vinganças diabólicas sofreu devido ao seu ministério em favor das almas, resgatando-as do seu poder para as entregar ao Senhor. Foi uma luta incessante, em que se podem identificar algumas etapas fundamentais.

Num escrito precioso enviado as seu diretor espiritual (Padre Agostinho de São Marcos in Lamis), o Padre Pio afirmava que "as aparições diabólicas começaram por volta dos cinco anos de idade e durante quase vinte anos assumiram sempre formas obscenas, humanas, mas sobretudo bestiais".

A primeira grande luta é narrada numa visão que se pode situar, mais precisamente, quando Padre Pio tinha cerca de cinco anos. A data é incerta, mas a época é essa. Nesse episódio, ele sentiu-se convidado a lutar contra um homem horrível e de "alma tão desmedida que tocava com a cabeça nas nuvens".

A personagem resplandecente que estava a seu lado (talvez São Miguel) exortou-o a lutar com aquele gigante monstruoso, assegurando-lhe a sua assistência. O embate foi terrível, mas o pequeno Francesco (que era o nome do Padre Pio) levou a melhor, graças ao auxílio daquele personagem misterioso que o tinha encorajado; um personagem misterioso e luminoso.

O horrível gigante foi obrigado a fugir, arrastando atrás de si "aquela grande multidão de homens de aspectos horríveis, no meio de urros, blasfêmias e gritos de atordoar". Este foi apenas o início, uma visão profética daquilo que viria a ser a sua vida. As frases entre aspas são todas do Padre Pio.

Tal episódio, que Padre Pio sempre considerou muito significativo, terminou com as palavras do personagem luminoso: "Aquele contra quem combateste há de voltar a atacar. Combate como um valente; eu ajudar-te-ei sempre, de maneira a que consigas prostrá-lo todas às vezes".

E, para além das lutas contínuas combatidas no silêncio, várias vezes lhe foram levados endemoninhados por quem rezou, sofreu e suportou pancadas e flagelos. É muito difundida e já foi publicada várias vezes a fotografia do rosto Padre Pio repleto de manchas negras; nesse dia tinha recebido uma pessoa endemoninhada, e de noite o demônio bateu-lhe por várias vezes com a cabeça no chão. Ajudado pelos confrades, que acorreram ao ouvirem o barulho, teve de ser medicado em todo o rosto e, no supercílio, foram necessários cinco pontos de sutura. Em algumas vezes o padre havia visto os demônios como seres horríveis, que o atormentavam, o batiam com ruidos de corrente, deixando-o marcado e sangrando. Outras vezes apareciam como horríveis animais, rosnando e aterrorizando.

O demônio aparecia algumas vezes em forma de um gato negro e selvagem, ou de animais repugnantes: era clara a intenção de incutir o terror. Outras vezes aparecia na forma de jovens moças nuas e provocativas, que dançavam de modo obsceno; era clara a intenção de tentar o jovem sacerdote na sua castidade.

Ele os viu em multiplas formas e levou muitas pancadas, que penso terem sido permitidas para recordar o mundo incrédulo de hoje sobre essa presença. Os fatos externos, visíveis e dolorosos de Padre Pio dão uma pequena idéia dos acontecimentos ocultados, da gravidade do pecado, contra tudo aquilo o que devemos lutar.

As lutas entre Padre Pio e Satanás ficaram mais duras quando Padre Pio livrou as almas possuídas pelo Diabo. Mais de uma vez, falou ao Padre Tarcísio de Cervinara que, antes de ser exorcizado, o Diabo gritava: "Padre Pio você nos dá mais preocupação que São Michael" e também: "Padre Pio, não aliene as almas de nós e nós não o molestaremos".

Diz na Sagrada Escritura:

"Mas Jesus, voltando-se para ele, disse-lhe: Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um escândalo; teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens"! (São Mateus 16, 23)

"Entretanto, Satanás entrou em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, um dos Doze". (São Lucas 22, 3)

"Não quero que sejamos vencidos por Satanás, pois não ignoramos as suas maquinações". (II Coríntios 2, 11)

"Vós tendes como pai o demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira". (São João 8, 44)

"Sabemos que somos de Deus, e que o mundo todo jaz sob o Maligno". (I São João 5, 19)

"A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda a sorte de portentos, sinais e prodígios enganadores". (II Tessalonicenses 2)

Diz na Sagrada Escritura:

Non serviam! ― Não servirei! "Subirei até o alto dos Céus, estabelecerei o meu trono acima dos astros de Deus, sentar-me-ei sobre o monte da aliança! Serei semelhante ao Altíssimo!” (Isaias 14, 13-14).

Este odioso brado de revolta ― inspiração de todos os gritos de insubmissão da História ― fez-se ouvir no Céu. Era Lúcifer, o anjo que portava a luz. Tal era sua excelência que a Igreja aplica a ele as palavras de Ezequiel: “Tu és o selo de semelhança de Deus, cheio de sabedoria e perfeito na beleza; tu vivias nas delícias do paraíso de Deus e tudo foi empregado para realçar a tua formosura!” (Ez 28, 12-12)

Arrastando consigo a terça parte dos anjos, Lúcifer foi precipitado no inferno, tornando-se o príncipe das trevas.

“Como caístes, ó astro resplandecente, que na aurora brilhavas? A tua soberba foi abatida até os infernos” (Isaias 14, 11-12).

Quantos são os corações dos homens do fim dos tempos, que são orgulhosos, soberbos...

Dizem muitos exorcistas, que combatem as forças das trevas, que “a soberba” é o pecado que o demônio mais gosta.

Também os exorcistas advertem que práticas da “nova era”, como por exemplo, o reiki, ioga, astrologia, adivinhação...enfim e outros...somados a práticas ocultistas e esotéricas, podem ser portas de entrada para o demônio.

Como dizia o poeta francês Charles Pierre Beaudelaire (1821-1867): "A maior astúcia do demônio é fazer acreditar que ele não existe".


"Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar". (1Pedro 5 ,8)

O Magistério e a Tradição da Igreja sempre defenderam a existência do demônio porque é um adversário real, inimigo de Cristo e do Seu Glorioso Reino. Para além da Bíblia, o Catecismo da Igreja Católica fala cerca de 40 vezes do demónio. A possessão diabólica é apenas uma das manifestações da existência e do poder maligno do demônio. Infelizmente hoje em dia o tema da existência do demônio foi votado ao estatuto de tabu e a própria Igreja dos dias de hoje, conciliar e modernista, parece ter problemas em falar disso. Muitos até preferem dizer que o demônio é apenas um "simbolismo" e não uma entidade real.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Vejam só o que aconteceu na Noruega:

Pais perdem guarda dos filhos por serem “muito cristãos”
“Pátria Educadora” na Noruega: acusados de “radicalismo e doutrinação cristã”, Ruth e Marius Bodnariu foram afastados dos seus cinco filhos pelo departamento de “proteção à infância”. Casal já está há quase um mês longe das crianças.


Em um ato flagrante de abuso de poder, o governo da Noruega tomou cinco crianças de sua família, depois de os seus pais serem acusados de "radicalismo e doutrinação cristã". Ruth e Marius Bodnariu estão desde o dia 16 de novembro sem os filhos – dois meninos, duas meninas e um bebê, ainda em fase de amamentação –, que foram transferidos a diferentes lares adotivos, por decisão do Barnevernet, o departamento de "proteção à infância" da Noruega. Uma petição online pedindo o retorno das crianças à sua família já foi assinada por mais de 35 mil pessoas.

De acordo com Daniel Bodnariu, irmão de Marius, toda a confusão começou com uma denúncia "feita pela diretora da escola onde as meninas estavam". As acusações – que ele revela em uma página do Facebook criada justamente para esse propósito – são estarrecedoras:

"A diretora chamou o Barnevernet expressando 'preocupações': as meninas contaram-lhe que estavam sendo disciplinadas em casa. Na sua mensagem, ela também disse que os pais são fiéis cristãos, 'muito cristãos', e que a avó tem uma forte convicção de que Deus castiga o pecado, o que, na opinião dela, cria uma inabilidade nas crianças. De acordo com a declaração da diretora, os tios e tias das meninas compartilham da mesma crença. A denúncia também diz que, ainda que as garotas sejam notáveis por seus bons resultados na escola e que a diretora não acredite que elas sejam abusadas fisicamente em casa, ela acha que os pais precisam de 'ajuda' e orientação do Barnevernet para criar os seus filhos."
Depois da queixa da escola, todas as coisas aconteceram muito rápido.

No dia 16 de novembro, as duas filhas mais velhas, Eliana e Naomi, foram literalmente "raptadas" da escola, sem o conhecimento dos pais. O Barnevernet ainda foi à casa da família, levou embora Matthew e John – sem nenhum mandado judicial –, e conduziu Ruth e o bebê para a delegacia. Marius, que estava no trabalho, também foi levado para um interrogatório. Depois de várias horas, o casal foi autorizado a voltar para casa, mas somente com Ezekiel, o filho de três meses.

No dia seguinte, porém, os agentes do Estado voltaram à casa dos Bodnariu e levaram também o bebê de três meses. A alegação era de que a mãe se tratava de uma pessoa "perigosa". Na mesma hora, a mãe foi avisada de que seus outros quatro filhos tinham sido colocados em diferentes casas adotivas e que já teriam se adaptado ao lugar, não sentindo mais a falta dos pais (!).

Depois de consultar um advogado, o casal obteve acesso ao documento com as acusações legais preenchidas contra eles. Entre outras coisas, havia a denúncia de que os pais e avós da família eram "cristãos radicais" e que estavam "doutrinando os filhos".

Até o momento, o casal Bodnariu ainda está separado de seus cinco filhos. Ruth e Marius estão impedidos de ver os quatro mais velhos e a mãe só pode ver o pequeno Ezekiel esporadicamente. "O que eles não entendem é por que os seus filhos foram tirados de si sem serem previamente alertados", explica Daniel, no Facebook. "Por que foram tratados como criminosos ou maus pais – como os adictos em drogas e alcóolatras? Por que ainda lhe estão sendo negados os seus direitos como pais, que deveriam prevalecer contra qualquer direito que o Estado possa presumir?"



Não é a primeira vez que o departamento de "proteção à infância" da Noruega é acusado de intrometer-se indevidamente na vida das famílias, com alguns líderes políticos chegando a qualificar o Barnevernet de "nazista". Diante de episódios como esses, é realmente difícil não evocar as cruéis imagens dos regimes totalitários do século XX, que, detendo a "fórmula" de uma sociedade perfeita, tentaram impô-la a todo o custo, desprezando as instituições e os direitos mais elementares dos indivíduos.

No rol desses "princípios inegociáveis" – os quais, longe de serem meramente religiosos, constituem normas de direito natural –, o Papa Bento XVI não se cansava de elencar a "tutela do direito dos pais de educar os próprios filhos". A Igreja leva tão a sério essa verdade, que Santo Tomás de Aquino, ainda na Idade Média, condenava que se ministrasse o batismo a filhos de pais judios, reconhecendo que as crianças "estão sob o cuidado dos pais segundo o direito natural". São os pais, portanto, que devem formar os próprios filhos, cabendo ao Estado um papel simplesmente subsidiário, alternativo, nesse processo. Daqui o problema do slogan "Pátria Educadora", adotado recentemente pelo governo federal brasileiro. A Educadora por excelência é a família, não o Estado.

Na verdade, o caso da família Bodnariu revela um drama crescente nos países nórdicos, dominados por um secularismo anticristão agressivo e por um Estado cada vez maior e mais autoritário. Na Suécia, por exemplo, as crianças não são mais criadas por um pai e uma mãe, mas por "funcionários públicos" das "creches do Estado". Lá, assim como em outros lugares dominados por uma ferrenha engenharia social, a "Pátria Educadora", mais que um projeto, é já uma triste realidade.

Tragicamente, a ascensão e fortalecimento da educação estatal é acompanhada por uma crise familiar praticamente sem precedentes na história humana. Com a ausência da figura paterna e as mulheres cada vez mais fora de casa, os filhos vão sendo empurrados para escanteio. Como alertou recentemente o Papa Francisco, os pais e as mães "se auto-exilaram da educação dos próprios filhos" e, por outro lado, "multiplicaram-se os assim chamados 'especialistas', que passaram a ocupar o papel dos pais até nos aspectos mais íntimos da educação". Também a "cultura da morte" se alimenta de tudo isso. Sem o profundo desprezo de nossos contemporâneos pela paternidade, de fato, dificilmente seria possível falar de uma "indústria" em torno da prática do aborto e dos métodos anticoncepcionais.

A todo esse show de horrores se juntam o ódio e a intolerância flagrantes à religião cristã. Nunca se ouviu falar tanto de "liberdade" – as pessoas "são livres" para cheirar maconha, para ter sexo com quem quiserem, para matar os próprios filhos, para dizer que homem e mulher são meras "construções sociais" – e, no entanto, quando uma família decide ensinar aos seus membros as verdades da fé cristã – ou simplesmente que "Deus castiga o pecado" –, o Estado rouba-lhes os filhos. Há liberdade para tudo, menos para ser cristão. Não se pode dizer que Deus castiga, se não quem castiga é o Estado.

"Há muitos casos de abuso dentro das famílias", reconhece Daniel Bodnariu. "Obviamente, esses casos devem ser punidos. Mas é uma enorme responsabilidade ser capaz de discernir quando realmente há ou não um abuso, porque, ao não fazer isso apropriadamente, você pode destruir uma família".

É o que está acontecendo com os Bodnariu, na Noruega, e é o que pode acontecer em todo o globo, caso os pais não despertem com urgência para o seu imperativo – e intransferível! – dever de educar os próprios filhos. Só isso pode dar jeito à farsa totalitária da "Pátria Educadora".

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

sábado, 12 de dezembro de 2015

Oração de conversão de soldado russo:


A comovente oração de um soldado soviético que se converteu antes de morrer

Marcadores: Comunismo/Socialismo, Orações
Uma das metas do comunismo é destruir a fé, os jovens da URSS eram submetidos a um ateísmo massacrador, mas isso não impediu que vocações surgissem em meio à terrível perseguição que sofria os cristãos. E foi nesse contexto que o militar Aleksander Zacepa escreveu a oração abaixo pouco antes de morrer. A oração foi publicada em 1972 em uma revista clandestina. Essa é uma tradução feita a partir do site Relgion en Libertad:


Escuta, ó Deus! Em minha vida não falei nenhuma vez contigo, mas hoje me dá vontade de fazer uma festa.
Desde pequeno me disseram que Tu não existes… E eu, como um idiota, acreditei.

Nunca contemplei tuas obras, mas esta noite, dentro de uma cratera feita por uma granada, vi o céu cheio de estrelas e fiquei fascinado por seu resplendor.

Nesse instante compreendi como é terrível o engano.
Não sei, ó Deus, se me darás tua mão, mas te digo que Tu me entendes…

Não é algo incrível que em meio a um inferno tenebroso me tenha aparecido a luz e te tenhas descoberto? Não tenho nada mais que dizer-te. Sinto-me feliz, pois te conheci.

À meia-noite temos que atacar, mas não tenho medo, Tu nos olhas. Deram o sinal!
Tenho que ir. Que bom se estiver contigo!

Quero dizer-te, e Tu sabes, que a batalha será dura: Talvez esta noite eu vá bater à tua porta. Se bem que até agora não fui teu amigo, quando eu partir, me deixarás entrar?

Meu Deus, eu irei… será difícil regressar. Mas, o que me acontece? Choro? Meu Deus, olha o que me aconteceu. Somente agora comecei a ver com clareza… Que incrível, agora a morte não me dá medo.

O Anticristo segundo Soloviev:



O Cardeal Biffi nos esclarece, utilizando a tese formulada por Soloviev em seu conto, qual pode ser o clima cultural no qual se afirmaria o Anticristo: aquele no qual o cristianismo tenha se reduzido a uma série de valores (pacifismo, ecologismo, ecumenismo, filantropismo) negando, entretanto, a pessoa divina de Jesus Cristo.

VLADIMIR SERGEEVIC SOLOV’ËV nasceu em Moscou em 16 de janeiro de 1853. Poeta, escritor, filósofo e crítico literário, é considerado o maior filósofo russo e o “Orígenes dos tempos modernos”. “Os três diálogos e o breve conto do Anticristo” (do qual tratamos nesse artigo) é seu testemunho espiritual publicado no ano da sua morte (1900). Estudioso dos Pais da Igreja e das ciências ocultas, das teologias orientais e dos sistemas de tipo gnóstico, Solov’ëv para Hans Urs von Balthasar é “autor da criação especulativa mais universal da Idade Moderna, o pensador que pode ser considerado, depois de Santo Tomás de Aquino, como o maior artífice da ordem e da organização na história do pensamento”.

Sobre o Anticristo e sobre o romance de Solov’ëv, o Cardeal Biffi já fez uma detalhada relação em 4 de março de 2000 em uma conferência organizada pelo centro Cultural E. Manfredini e pela Fundação Rússia Cristã. O texto da sua apresentação foi relatado na integrada no livro “Pinocchio, Peppone, l’Anticristo” (Cantagalli 2005). Naquela apresentação, recordando as palavras proféticas do filósofo russo, o Cardeal de Bologna disse: “Primeiramente é impressionante a perspicácia com que ele (Soloviev) descreve a grande crise que castigaria o cristianismo nos últimos anos do século XX, crise que Soloviev vê como a influência do Anticristo sobre um pouco de tudo, uma quase emblemática hipostasia da religião confusa e ambígua dos nossos anos. O Anticristo será um ‘convicto espiritualista’, um filantropo amável, um pacifista comprometido e diligente, um vegetariano observante, um determinado e ativo defensor dos animais”. E mais, ironizava o Cardeal Biffi, esse Anticristo será “também um especialista em exegese: sua cultura bíblica lhe propiciará inclusive um doutorado honoris causa em Tubinga. Antes de tudo, se demonstrará um excelente ecumenista, capaz de dialogar com palavras cheias de doçura, sabedoria e eloquência”.

Mas quem é o Anticristo? Uma força política, religiosa, uma pessoa influente? Não sabemos, porém somos chamados à contínua vigilância. No Novo Testamento há contínuas referências à figura do Anticristo e da sua incessante ação no mundo para separar os Filhos de Deus do próprio Deus. Na Segunda Epístola aos Tessalonicenses, o Apóstolo São Paulo descreve assim a figura do Anticristo: “Ninguém de modo algum vos engane. Porque primeiro deve vir a apostasia, e deve manifestar-se o homem da iniquidade, o filho da perdição, o adversário, aquele que se levanta contra tudo o que é divino e sagrado, a ponto de tomar lugar no templo de Deus, e apresentar-se como se fosse Deus. Não vos lembrais de que vos dizia estas coisas, quando estava ainda convosco? Agora, sabeis perfeitamente que algo o detém, de modo que ele só se manifestará a seu tempo. Porque o mistério da iniquidade já está em ação, apenas esperando o desaparecimento daquele que o detém. Então o tal ímpio se manifestará. Mas o Senhor Jesus o destruirá com o sopro de sua boca e o aniquilará com o resplendor da sua vinda. A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda a sorte de portentos, sinais e prodígios enganadores. Ele usará de todas as seduções do mal com aqueles que se perdem, por não terem cultivado o amor à verdade que os teria podido salvar. Por isso, Deus lhes enviará um poder que os enganará e os induzirá a acreditar no erro. Desse modo, serão julgados e condenados todos os que não deram crédito à verdade, mas consentiram no mal.” (2Ts 2, 3-12) O Apóstolo João, na sua Primeira Epístola e no Apocalipse, referindo-se ao Anticristo o descreve como aquele não reconhece que Jesus Cristo é Filho de Deus, negando Sua divindade: “Quem é mentiroso senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse é o Anticristo, que nega o Pai e o Filho.” (1Jo 2, 22)

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A ADVERTÊNCIA PROFÉTICA DE VLADIMIR S. SOLOVIEV

Reflexão feita em 27 de fevereiro de 2007 pelo Arcebispo emérito de Bolonha Cardeal Giacomo Biffi durante os Exercícios Espirituais quaresmais à Cúria Romana e ao Papa Bento XVI e publicada no jornal “Il Foglio” de 15 de março de 2007.

Ao fim do século XIX a mentalidade mais corrente previa que o século que estava para começar trazia consigo progresso, prosperidade e paz. Victor Hugo, ao fim do século, havia profetizado: “Este século foi grande, o próximo século será feliz”.

Soloviev não se deixa contagiar por tal ingenuidade laicista e, na sua última obra, “Os três diálogos e um conto sobre o Anticristo”, datada da páscoa de 1900, poucos meses antes de morrer, prevê que o século XX seria marcado por grandes guerras, por grandes revoluções cruentas, por grandes lutas civis. Ao final do século, os povos europeus – persuadidos dos graves danos derivados das suas rivalidades – dariam origem, disse, aos Estados Unidos da Europa “mas… os problemas da vida e da morte, do destino final do mundo e do homem, tornando-se mais complicados e intrincados por uma avalanche de pesquisas e de novas descobertas nos campos fisiológico e psicológico permanecem, como antigamente, sem solução. Vem à luz um único resultado importante, mas de caráter negativo: a completa falência do materialismo teórico”.  Isso não vai, entretanto, aumentar ou fortalecer a fé. Ao contrário, a incredulidade será rampante. Então, ao final teremos para a civilização europeia uma situação que poderia ser definida como vazia. Esse vácuo apenas faz emergir e afirmar a presença e a ação do Anticristo.

Mais do que o evento imaginado por Soloviev – no qual o Anticristo primeiro vem a ser eleito presidente dos Estados Unidos da Europa, e depois é proclamado Imperador Romano, se apossa do mundo inteiro e ao final se impõe também contra a vida e a organização das Igrejas – é relevante relembrar as características atribuídas a esse personagem. Era –disse Soloviev – “um convicto espiritualista”. Acreditava no bem e até mesmo em Deus, “mas amava somente a si mesmo”. Era um asceta, um estudioso, um filantropo. Dava “grandes demonstrações de moderação, de desinteresse e de ativa beneficência”. Na sua juventude havia se destacado como um culto exegeta: uma volumosa obra sua de estudo bíblico lhe proporcionou um doutorado ad honorem por parte da Universidade de Tubinga. Mas o livro que lhe proporcionará fama e consenso universal levará o título: “O caminho aberto sobre a paz e a prosperidade universal”, onde “se uniram o nobre respeito pelas tradições e símbolos antigos com um vasto e audaz radicalismo de exigências e diretivas sociais e políticas, uma liberdade sem limites de pensamento com a mais profunda compreensão de tudo aquilo que é místico, o absoluto individualismo com um ardente direcionamento ao bem comum, o mais elevado idealismo em termos de princípios diretivos com a precisão completa e a vitalidade das soluções práticas”. É verdade que alguns homens de fé se perguntariam por que o nome de Cristo não era mencionado nenhuma vez; mas outros os rebatiam: “A partir do momento que o conteúdo do livro é permeado de verdadeiro espírito cristão, do amor ativo e da benevolência universal, o que mais vocês querem?”.  Por outro lado, ele “não terá por Cristo uma hostilidade de princípio”. Na verdade ele apreciava a sua reta intenção e o seu altíssimo ensinamento. Três coisas de Jesus, entretanto, ele consideraria inaceitáveis. Em primeiro lugar as suas preocupações morais. “O Cristo – afirmaria – dividiu os homens entre bons e maus com seu moralismo, entretanto eu os unirei por meio dos benefícios que são igualmente necessários aos bons e aos maus”. Além disso, não lhe agradava “a sua absoluta unidade”.  Ele é um entre tantos; ou melhor – dizia para si – foi o meu precursor, pois o salvador perfeito e definitivo sou eu, que purifiquei sua mensagem daquilo que é inaceitável aos homens de hoje. E acima de tudo, não podia aceitar que Cristo estivesse vivo, e por conta disso repetia histericamente: “Ele não está entre os vivos e nunca o estará. Não ressuscitou, não ressuscitou, não ressuscitou! Apodreceu, apodreceu no sepulcro…”.

Mas onde a exposição de Soloviev se mostra particularmente original e surpreendente – e merecedora de reflexões mais profundas – é na atribuição ao Anticristo das qualidades de pacifista, ecologista e ecumenista.

Já se viu que a paz e a prosperidade são os argumentos das obras-primas literárias dos nossos heróis. Mas são ideias que ele será bem sucedido em implantar. No segundo ano de reinado, como Imperador Romano e Universal, poderá emitir o pronunciamento: “Povos da terra! Eu vos prometi a paz e eu a dei a vocês”.  E justamente por causa disso surgirá nele a ideia de sua superioridade em relação ao Filho de Deus: “Cristo trouxe a espada, eu trarei a paz”. Para melhor compreender o pensamento de Soloviev sobre esse ponto, pode-se citar o que ele disse no terceiro diálogo pela boca do senhor Z., o interlocutor que representa o autor: “Cristo veio à terra trazer a verdade, e essa, como o bem, primeiro divide”. “Existe por conseguinte – disse Soloviev – a paz boa, a paz cristã, baseada sobre aquela divisão que Cristo veio trazer sobre a terra precisamente com a separação entre o bem e o mal, entra a verdade e a mentira; e há a paz ruim, a paz do mundo, fundada sobre a união exterior daquilo que interiormente está em guerra”.  Quanto ao pensamento sobre a guerra no sentido mais comum e óbvio do termo, recordemos que o primeiro dos três diálogos “solovievianos” e todo dedicado à crítica do pacifismo tolstoiano e da doutrina da não-violência. A guerra – afirma – é certamente um mal, mas é necessário reconhecer que, seja na vida do indivíduo seja na vida da nação, ocorrem situações onde não bastam avisos ou boas palavras para responder às agressões. Podemos dizer que, segundo Soloviev, enquanto os ideais de paz e de fraternidade são valores indiscutivelmente cristãos, não o podem ser considerados o pacifismo e a teoria da não-violência que muitas vezes resultam em tolerância a prevaricações e à um abandono indefeso dos pequenos e dos fracos à mercê dos maus e dos prepotentes.

O Anticristo será também um ecologista ou ao menos um defensor dos animais. São termos modernos que obviamente Soloviev não usava; mas a sua descrição é bastante clara: “O novo senhor da terra – dizia – era em primeiro lugar um filantropo, cheio de compaixão, não só amigo dos homens como também dos animais. Pessoalmente era vegetariano, proíbe as vivissecções e  submete os matadouros à uma severa vigilância; as sociedades protetoras dos animais serão encorajadas por ele de todas as maneiras”.

O Anticristo por fim se mostrará um excelente ecumenista, capaz de dialogar “com palavras cheias de doçura, sabedoria e eloquência”. Convocará os representantes de todas as denominações cristãs a “um concílio ecumênico sob sua presidência”. A sua ação buscara o consenso de todos através da concessão de favores. “Se vocês não são capazes de chegar a um acordo – dirá aos convocados da reunião ecumênica – espero ser eu a pô-los em acordo, mostrando a todos o mesmo amor e a mesma solicitude para satisfazer de cada um a verdadeira aspiração”. Porá em prática esse projeto, devolvendo aos católicos o poder temporal do Papa, erigindo para os ortodoxos um instituto para a conservação de todos os preciosos paramentos litúrgicos da tradição oriental, criando ao benefício dos protestantes um centro de pesquisa bíblica livre, generosamente financiado. É um ecumenismo exterior e “quantitativo”, que lhe servirá perfeitamente: as massas de cristãos entraram no seu jogo. Somente um grupelho de católicos liderados pelo Papa Pedro II, um pequeno grupo de ortodoxos guiados por João e alguns protestantes exprimindo-se pela boca do professor Pauli resistiram ao fascínio do Anticristo. Eles viram para promover o ecumenismo da Verdade, reunindo-se em uma única Igreja e reconhecendo o primado de Pedro. Mas será um ecumenismo “escatológico”, realizado quando a história já estiver perto da sua conclusão: “Assim – conta Soloviev – faz-se a união das Igrejas no coração de uma noite escura à uma altura solitária. Mas a escuridão da noite será repentinamente rasgada por um vivido esplendor e no céu aparecerá um grande sinal: uma mulher vestida de sol, com a lua sob seus pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas”.

Qual é então a “advertência profética” que aproxima o nosso tempo dessa espécie de parábola do grande filósofo russo? Virão dias, nos disse Soloviev, em que o cristianismo tenderá a reduzir o fundamento da salvação, que não pode ser aceita se não pelo ato difícil, corajoso, concreto e racional da fé, a uma série de “valores” facilmente negociados no mercado mundano. É desse risco que devemos nos proteger. Mesmo se um cristianismo que falasse somente de “valores” amplamente compartilháveis se mostrasse infinitamente mais aceitável ao público, nas congregações sociais e na política, nas transmissões de televisão, não podemos e não devemos renunciar ao cristianismo “de Jesus Cristo”, o cristianismo que possui em seu centro o “escândalo” da Cruz e a realidade perturbadora da ressurreição do Senhor. Este perigo – devo acrescentar – na sociedade dos nossos tempos não é puramente hipotético. Pe. Divo Barsotti disse algo assustador, mas de atualidade incontestável: Em muitas propostas, em muitas iniciativas, em muitos discursos das nossas comunidades – afirmava – Jesus Cristo é uma desculpa para falar de outra coisa. O Filho de Deus crucificado e ressurgido, único Salvador dos homens, não é “transferível” a uma série de bons projetos e de boas intenções, verificáveis na mentalidade mundana dominante.  É uma “pedra”, como ele próprio referiu-se à si mesmo – e como nós mesmos raramente temos coragem de repetir -:  sobre essa “pedra”, ou (crendo) se constrói ou (contrapondo-se) nos esmagamos: “[Aquele que tropeçar nesta pedra, far-se-á em pedaços; e aquele sobre quem ela cair será esmagado.]” (Mt 21,44).

São necessários alguns esclarecimentos sobre esse ponto. É indiscutível que o cristianismo é, antes de mais nada, um “evento”; mas também indiscutível que esse evento propõe e sustenta “valores irrenunciáveis”. Claro que não se pode, por amor ao diálogo, desintegrar o fato cristão em uma série de valores compartilháveis pela maioria; mas não se pode tão pouco desestimular os valores autênticos como se fosse algo insignificante. É, portanto, necessário discernimento.  Há valores absolutos – ou, como dizem os filósofos, transcendentais – tais como, por exemplo, a verdade, o bem, o belo. Quem os percebe e os honra e ama, percebe, honra e ama Jesus Cristo, mesmo se não o sabe e talvez se considere ateu, por que no ser profundo das coisas, Cristo é a verdade, a justiça, a beleza. Há valores relativos (ou categóricos), como o culto à solidariedade, o amor à paz, o respeito pela natureza, a disposição ao diálogo, etc. Esses merecem um juízo mais articulado, que preserve a reflexão em toda ambiguidade. Solidariedade, paz, natureza, diálogo podem proporcional ao não-cristão ocasiões concretas para uma aproximação com Cristo e Seu Mistério. Mas se dá atenção à eles ao ponto de que se absolutizam até perderem toda a sua raiz objetiva ou, pior, até contraporem-se ao anúncio do fato salvífico, então tornando-se instigações à idolatria e obstáculos no caminho da salvação. Do mesmo modo, no cristão, esses mesmos valores – solidariedade, paz, natureza, diálogo – podem oferecer precisos impulsos à realização de uma total e apaixonada adesão à Jesus, Senhor do universo e da história; é, por exemplo, o caso de São Francisco de Assis. Mas se o cristão, por amor à abertura ao mundo e da boa relação com todos, quase sem perceber dissolve substancialmente o fato salvífico na exaltação e na realização destes objetivos secundários, então ele se impede de conhecer pessoalmente ao Filho de Deus crucificado e ressuscitado, e cai pouco a pouco o pecado no pecado da apostasia, e encontra-se ao final ao lado do Anticristo.

No prefácio de “Os três diálogos”, Soloviev conta que, naquele tempo, em alguma província da Rússia começava a difundir-se uma nova religião, que havia simplificado bastante a sua atividade de culto. Os seus adeptos “depois de fazerem em algum canto escuro da parede do isbá, um buraco de tamanho médio… colocavam os lábios sobre o buraco e repetiam muitas vezes com insistência: meu isbá, meu buraco, salve-me!”. Nessa incrível bizarrice – nota Soloviev – havia ao menos a virtude do uso correto dos termos: “Chamam o isbá de isbá e o buraco… de buraco”. No nosso mundo há algo pior, continua o filósofo, implacavelmente. “O homem perdeu sua antiga franqueza. O seu isbá recebeu a nome de “reino de Deus na terra”; quanto ao buraco, começaram ao chama-lo de ‘novo evangelho’” (Aqui a polêmica com Tolstoi é franca e até feroz). Mas o cristianismo sem Cristo e sem a boa nova de uma real e pessoal ressurreição “é a mesma coisa que um espaço vazio, como um simples buraco, feito no isbá de um camponês”. Concluindo, me parece que também, e sobretudo, hoje estamos lutando contra uma cultura da pura e simples “abertura”, da liberdade sem limites, do nada existencial. Esta é a maior tragédia do nosso tempo. Mas a tragédia torna-se ainda maior quando se atribui a esse “nada”, a essas “aberturas”, a esses “buracos”, por amor ao diálogo, alguma enganosa etiqueta cristã. Fora de Cristo – pessoa concreta, realidade viva, evento – só há o “vazio” do homem e do seu desespero. Em Cristo, que é o pleroma do Pai, o homem encontra a sua plenitude e a sua única esperança.

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PARA CITAR ESTA TRADUÇÃO:
O Anticristo segundo Soloviev, 2014, trad.br. por Italo Lorenzon Neto, Rio Claro, SP, Brasil, fev.2014. http://wp.me/p3Vl16-1tb
De: “L’Anticristo secondo Soloviev”, 15 de fevereiro de 2014, “http://www.conciliovaticanosecondo.it/documenti/lanticristo-secondo-soloviev/”.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

A Origem da Microcefalia:


 
Vamos voltar alguns anos no tempo e você terá a resposta

09.12.2015 - Nota de www.rainhamaria.com.br

Por Dilson Kutscher

A maioria da sociedade está surpresa com mosquitos transmitindo tantas doenças, principalmente neste momento, com a infecção das gestantes pela zika vírus, doença transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti.


Que causa microcefalia, uma doença rara que provoca uma má-formação do cérebro do bebê durante a gestação, causando problemas graves no desenvolvimento da criança. Com tal surto se espalhando pelo Brasil, os médicos aconselharam as mulheres que querem engravidar, avaliarem os riscos junto com a família.


Mas a pergunta que fica é:

Como de uma hora para outra, um mosquito pode transmitir tantas doenças e o surto de  microcefalia, que começa a se espalhar pelo Brasil?

Você está surpreso? Eu não.

Vamos voltar 3 anos no tempo, no seguinte artigo publicado no site em 13.11.2012

Se possível, leia atentamente.

Mosquitos Geneticamente Modificados liberados aos milhões, inclusive no Brasil.

No caso de você ainda não saber, mosquitos geneticamente modificados foram soltos inúmeras vezes no planeta Terra. Até agora, milhões de mosquitos foram liberados em vários locais: Ilhas Cayman, Malásia e até mesmo aqui no Brasil (veja a parte final deste artigo). Agora, a criadora de mosquito transgênico Oxitec pode liberar milhões de mosquitos geneticamente modificados nas áreas de culturas, incluindo azeitonas, frutas cítricas, couve, tomate e algodão.

Uma empresa sediada no Reino Unido, a Oxitec, é a criadora de todos os insetos geneticamente modificados. A meta da empresa é criar um mercado global, onde os insetos transgênicos serão dispersados no mundo todo, a fim de substituir as populações de insetos naturais. Com a substituição de insetos naturais, a empresa espera acabar com as doenças transmitidas por insetos, bem como os insetos que se alimentam de culturas agrícolas. Por mais assustador que isso possa parecer, milhares de espécies de insetos podem ser geneticamente alteradas no futuro próximo.

Curiosamente, Oxitec é apoiada e tem estreitas relações com a multinacional de pesticidas e de sementes transgênicas, a Syngenta. A Syngenta, além de abastecer o mundo com pesticidas destrutivos, também foi acusada de emcobrir a morte de
muitos animais que consomem o milho transgênico da empresa. Sendo principalmente interessada no mercado de transgêncos e pestes, a Syngenta, bem como a Oxitec, estão planejando comercializar insetos transgênicos em todo o mundo.

O que é especialmente assustador sobre a liberação e futura modificação de milhares de espécies de insetos é que tudo isso será feito com muito pouca avaliação de riscos. Sem falar do desconhecimento do vasto número de efeitos negativos que podem ocorrer da modificação genetica de partes da biosfera.

Dra. Helen Wallace, Diretora de GeneWatch UK disse: "O público vai ficar chocado ao saber que insetos transgênicos podem ser liberados no meio ambiente sem qualquer supervisão adequada. Conflitos de interesses devem ser retirados de todos os processos de tomada de decisões para garantir que o público terá voz sobre esses planos".


Para facilitar a liberação dos insetos, a Oxitec está influenciando a regulamentação em todo o mundo. Um exemplo de influência gira em torno da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), que é a responsável pela avaliação do risco de insetos GM (transgêncos). Conforme relatado por FarmWars, parece haver inúmeros casos de conflitos de interesse, que inclui especialistas com ligações com a Oxitec. As ligações entre membros da EFSA e a Oxitec é muito semelhante as ligações entre Monsanto e a FDA (Food and Drug Administration, dos EUA), onde várias autoridades governamentais têm ligações estreitas com a Monsanto.

O esboço das "Orientações sobre a avaliação de risco de insetos GM" mostra algumas deficiências significativas: por exemplo, não considera os impactos de insetos transgênicos na cadeia alimentar. Insetos transgênicos da Oxitec são geneticamente modificados para morrer na fase de larva para larvas, então larvas transgênicas entrarão na cadeia alimentar dentro de culturas alimentares, como azeitonas, repolho e tomate. Insetos transgênicos vivos poderiam também ser transportados em culturas para outras fazendas ou países diferentes. A EFSA excluiu qualquer consideração sobre estas importantes questões de seu esboço de projeto. Muitas outras questões não são devidamente tratadas.

Um documento, publicado pela Testbiotech e outros grupos que promovem a pesquisa independente e o debate sobre o impacto da biotecnologia por várias organizações, mostra como a Oxitec está tentando influenciar o processo de regulamentação de insetos transgênicos.

- Não quer ser responsável por quaisquer complicações.
- Tenta evitar qualquer regulamentação de pragas agrícolas transgênicas que aparecem na cadeia alimentar.
- Exclui questões importantes de avaliações de risco, tais como o impacto sobre a imunidade humana e doenças, e os possíveis resultados decorrentes da sobrevivência de mosquitos transgênicos.
- Liberação de grande quantidade de mosquitos transgênicos antes de sair a regulamentação.
- Tentativas de definir 'contenção biológica' dos insetos (que estão programados para morrer na fase de larva) como uso contido, contornando requisitos para avaliações de risco e consulta sobre as decisões de liberar insetos transgênicos para o meio ambiente.
Minar a obrigação de obter o consentimento informado para experimentos envolvendo espécies de insetos que transmitem doenças.
- Ignora qualquer rotulagem de produtos produzidos a partir de insetos transgênicos e como insetos podem ser contido onde foram liberados.

No Brasil

Dando uma olhada melhor no documento da Testbiotech vemos que o Brasil está no centro da estratégia da Oxitec e como a OMS, a FioCruz, a USP e a CTNBio estão metidas neste jogo de interesses para fazer do Brasil um piloto para liberação de insetos transgênicos. Traduzi abaixo alguns trechos do documento:
Um projeto financiado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) permitiu que a empresa (Oxitec) ignorasse os requisitos de consentimento informado para a liberação de mosquitos geneticamente modificados. O projeto financiado pela OMS, Mosqguide, que deveria supostamente desenvolver as melhores práticas, também permitiu que a empresa obtivesse a aprovação dos órgãos reguladores brasileiros (CTNBio) para liberar 16 milhões de mosquitos transgênicos antes que fossem finalizadas ou aprovadas as regulamentações sobre a liberação de insetos transgênicos, sem a publicação de uma avaliação de risco.

16 MILHÕES OU MAIS FORAM LIBERADOS NO BRASIL.

JÁ DEVEM TER VIRADO QUASE BILHÕES...

A diretora da Oxitec para Assuntos Regulatórios, Camilla Beech, é também a gerentede projeto adjunto do projeto Mosqguide e Beech e outos empregados da Oxitec são co-autores de publicações do projeto, ao lado de outros, como Margareth Capurro, que está realizando experimentos da Oxitec em nome de seus parceiros da Universidade de São Paulo (USP) no Brasil.
Em uma atualização do projeto, Beech informa que o Brasil foi usado como um exemplo no estudo original do Mosqguide para as medidas que tem tomado para elaborar um novo regulamento que cobre insetos transgênicos, mas que o regulador CTNBio não esperou por esta regulamentação para aprovar o lançamentos de mosquitos transgênicos da Oxitec já em 2010.

O projeto financiado pela OMS, Mosqguide, não explicou o por que de abandonar a regulamentação e o fato de não publicar a avaliação de risco do resultado de um acordo comercial entre o Reino Unido e o Brasil deve ser considerado pela OMS como "melhores práticas".

No Brasil, por exemplo, o parceiro local da Oxitec, a USP, submeteu uma avaliação de riscos para os reguladores e é responsável por executar os experimentos. Isso significa que a responsabilidade por quaisquer problemas causados, por erros ou omissões na avaliação de risco, ou por não obter o consentimento informado, poderá cair sobre os parceiros, em vez da Oxitec.

Fiz uma pesquisa sobre a Margareth Capurro e achei esta entrevista no UOL, com o título "Ambiente regulatório sobre transgênicos favoreceu pesquisa sobre mosquito que combate a dengue". Na entrevista ela diz: A opinião é da bióloga Margareth de Lara Capurro Guimarães, professora do Departamento de Parasitologia da Universidade de São Paulo (USP), uma das pesquisadoras à frente da experiência de produção, liberação e monitoramento do mosquito geneticamente modificado em bairros de Juazeiro (BA). “Nós temos uma linha de trabalho com OGM [organismo geneticamente modificado] muito bem definida. Temos um sistema de regulamentação e temos a CTNBio [Comissão Técnica Nacional de Biossegurança] muito bem estruturada”, elogiou.

Para ela, as condições institucionais levaram o Brasil a ser o único país a sediar a pesquisa de campo com o mosquito originalmente modificado pelo Laboratório Oxitec, uma empresa incubadora originalmente vinculada à Universidade de Oxford (Inglaterra). “Há uma estruturação no Brasil que em outros países não existe. Isso faz uma grande diferença. Outros países não sabem nem por onde começar”, comparou. “É impressionante como a coisa funciona bem”. Segundo ela, o Brasil tornou-se referência mundial na regulamentação de transgênico."

Nesta mesma entrevista vemos que na Bahia temos a Moscamed (com status legal de organização social), e que "o governo da Bahia investiu cerca de R$ 1,7 milhão na ampliação da biofábrica da empresa, com capacidade produtiva de 4 milhões do Aedes aegypti modificado geneticamente por semana".

Neste outro documento da CTNBio, de julho de 2012, esta autoriza a liberação de até 12.000 insetos adultos machos em um período de 2 anos em Jacobina, Bahia.

Perguntaria a esta nossa conterrânea o Brasil se tornou uma "referência mundial na regulamentação de transgênico" seria pelo fato da total abertura desta regulamentação que cede às exigências das corporações de transgênicos?

Fontes:
- Documento da TestBiotech com as denúncias sobre a Oxitec
- Site do Moscamed
- CTNBio: Aprovação da liberação de Mosquitos na Bahia
- UOL: Ambiente regulatório sobre transgênicos favoreceu pesquisa sobre mosquito que combate a dengue
- Natural Society: Busted: Biotech Leader ‘Syngenta’ Charged Over Covering Up Animal Deaths from GM Corn Via: http://www.anovaordemmundial.c

Nota de www.rainhamaria.com.br

Por Dilson Kutscher

Como leram, os subordinados, comparsas da chamada "Nova Ordem Mundial", da qual a OMS, Organização Mundial de Saúde faz parte, foram eles, juntos com outros orgãos e instituições a serviço dos ditos "Senhores do Mundo", que controlam o Poder Mundial, pois, eles espalharam milhões, talvez bilhões, de mosquitos geneticamente modificados, para semear todas essas doenças que estão surgindo e que muitos surpresos perguntam como pode ser isto, mas, a resposta é como diz na Sagrada Escritura....

"Porque não há nada oculto que não venha a descobrir-se, e nada há escondido que não venha a ser conhecido". (São Lucas 12, 2)


Em 2011, mosquitos Aedes aegypti, geneticamente modificados foram soltos em algumas cidades brasileiras. Era o começo do Projeto Aedes Transgênico aqui no Brasil. A promessa era de que os mosquitos transgênicos machos copulariam com as fêmeas selvagens e as crias morreriam ainda no estágio larval, sem chegar a idade adulta. Seria maravilhoso se fosse tudo assim, mas não foi bem isso que aconteceu.


Diz na Sagrada Escritura:

"Ai das mulheres que, naqueles dias, estiverem grávidas ou amamentando, pois haverá grande angústia na terra e grande ira contra o povo". (São Lucas 21, 23)

"Levantar-se-á nação contra nação, reino contra reino, e haverá fome, peste e grandes desgraças em diversos lugares". (São Mateus 24, 7)

"Porque estes serão dias de castigo, para que se cumpra tudo o que está escrito". (São Lucas 21, 22)

"E vi aparecer um cavalo esverdeado. Seu cavaleiro tinha por nome Morte; e a região dos mortos o seguia. Foi-lhe dado poder sobre a quarta parte da terra, para matar pela espada, pela fome, pela peste e pelas feras". (Apocalipse 6, 8)