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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Se:

    "Se és capaz de manter tua calma, quando,
     todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
     De crer em ti quando estão todos duvidando,
     e para esses no entanto achar uma desculpa.

     Se és capaz de esperar sem te desesperares,
     ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
     Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
     e não parecer bom demais, nem pretensioso.

     Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
     de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
     Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
     tratar da mesma forma a esses dois impostores.

     Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
     em armadilhas as verdades que disseste
     E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
     e refazê-las com o bem pouco que te reste.

     Se és capaz de arriscar numa única parada,
     tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
     E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
     resignado, tornar ao ponto de partida.

     De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
     a dar seja o que for que neles ainda existe.
     E a persistir assim quando, exausto, contudo,
     resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

     Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
     e, entre Reis, não perder a naturalidade.
     E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
     se a todos podes ser de alguma utilidade.

     Se és capaz de dar, segundo por segundo,
     ao minuto fatal todo valor e brilho.
     Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
     e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!"

     Rudyard Kipling

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