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domingo, 1 de fevereiro de 2015

A Carta a Diogneto:

Maior joia da literatura cristã primitiva,tal carta nos conta como viviam os primeiros cristãos.
Durante longos séculos,um elegante manuscrito composto em grego permaneceu ignorado
 no silêncio profundo.Foi por acaso encontrado  em 1436, em Constantinopla,junto com vários outros
manuscritos endereçados a Diogneto.Seu autor è incerto.Já seu destinatário era um pagão culto
interessado em saber mais sobre o cristianismo,aquela nova religião que se espalhava com força e vigor pelo Império Romano e que chamava a atenção do mundo pela coragem com que seus seguidores enfrentavam os suplícios de uma vida de perseguições  e pelo amor intenso com que  amavam a Deus e uns aos outros.Tal documento descreve quem eram e como viviam os cristãos
dos primeiros séculos.
PARÁGRAFOS 5 E 6:
``Os cristãos não se distinguem dos outros homens nem por sua terra,nem por sua língua,nem por seus costumes.Eles não moram em cidades separadas,nem falam línguas estranhas,nem têm qualquer
modo especial de viver.Sua doutrina não foi inventada por eles,nem se deve ao talento e à especulação de homens curiosos;eles não professam ,como outros,nenhum ensinamento humano.Pelo
contrário,mesmo vivendo em cidades gregas e bárbaras,conforme a sorte de cada um,e adaptando-se
aos costumes de cada lugar quanto á roupa,ao alimento e a todo o resto,eles testemunham um modo de vida admirável e,sem dúvida,paradoxal.
Vivem na sua pátria,mas como se fossem forasteiros;participam de tudo como cristãos,e suportam
tudo como estrangeiros.Toda pátria estrangeira é sua pátria,e cada pátria é para eles estrangeira.
Casam-se como todos e geram filhos,mas não abandonam os recém nascidos.Compartilham a mesa,
mas não o leito;vivem na carne,mas não segundo esta;moram na terra,mas têm sua cidadania no céu;
obedecem às leis estabelecidas,mas,com a sua vida,superam todas as leis;amam a todos e são perseguidos por todos;são desconhecidos e,ainda assim,condenados;são assassinados,e,deste modo,
recebem a vida;são pobres,mas enriquecem a muitos;carecem de tudo,mas têm abundância de tudo;
são desprezados e,no desprezo,recebem a glória;são amaldiçoados,mas,depois,proclamados justos;são
injuriados e, no entanto,bendizem;são maltratados e,apesar disso,prestam tributo;fazem o bem e são
punidos como malfeitores;são condenados,mas se alegram como se recebessem a vida.Os judeus os
combatem como estrangeiros;os gregos os perseguem;e quem os odeia não sabe dizer o motivo desse ódio´´.
``Assim como a alma está no corpo, assim os cristãos estão no mundo.A alma está espalhada por to-
das as partes do corpo ;os cristãos por todas as partes do mundo.A alma invisível está contida num corpo visível ;os cristãos são visíveis no mundo,mas a sua religião é invisível.A carne odeia e combate a alma,mesmo não tendo recebido nenhuma ofensa,porque a alma a impede de gozar dos prazeres mundanos;embora não tenha recebido injustiça por parte dos cristãos, o mundo os odeia por-
que eles se opõem aos seus prazeres desordenados.A alma ama a carne e os membros que a odeiam  
,os cristãos também amam aqueles que os odeiam.A alma está contida no corpo,mas é ela que sustenta o corpo;os cristãos estão no mundo,como numa prisão,mas são eles que sustentam o mundo.
  A alma imortal habita em uma tenda mortal;os cristãos também habitam,como estrangeiros ,em moradas que se corrompem,esperando a incorruptibilidade nos céus.Maltratada no comer e no beber
a alma se aprimora;também os cristãos,maltratados,se multiplicam mais a cada dia . Esta é a posição
que Deus lhes determinou;e a eles ão é lícito rejeitá-la´´.


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