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Antonio Conselheiro e Canudos: Análise antropológica do livro de Ataliba Nogueira e revisão social da história.
Estudo do livro "Antonio Conselheiro e Canudos" de Ataliba Nogueira.
Publicado por Ingrid Meireles - 1 ano atrás
O livro irá relatar a vida de Antonio Conselheiro, e sua participação na trágica guerra de Canudos. Para começar o autor faz alusão à guerra, dizendo que “assim, submersa, ficará apenas na historia do Brasil”. Conclui afirmando, que a cidade Belo Monte, não figura mais nos mapas, assim como seu fundador, António Conselheiro.
“O grande Rui”, como o livro se refere, escreveu a primeira parte de um discurso para ser pronunciado no senado, porém nunca o fez. Nesse manuscrito, o escritor dizia que todos os mortos em Canudos, pedem à ele que fale por eles, já que é a voz da Bahia, da justiça e da verdade. Rui, como o autor, Ataliba, concordam que a guerra foi injusta e que os canudenses mortos mereciam ter tido mais voz e respeito.
Crítica a “Os Sertões”
“Deve-se a Os Sertões o merecido relevo dado à campanha de Canudos. Foi sua obra que suscitou o estudo constante e dedicado da guerra e de outros fato a ela ligada”
Ataliba reconhece o trabalhado de Euclides, e conta um pouco de como o autor foi pedir críticas a Coelho Neto e César Bierrenbach. Depois encerra, dizendo que só agora, com três quartos de século da guerra de Canudos se poderá fazer o histórico daquele acontecimento, porém para isso precisaria de um novo Euclides, pois as pesquisas são longas, investigações etc. Porém, para começar, o melhor que ele achou foi o manuscrito de António Conselheiro.
Recapitulação Histórica e análise antropológica:
O autor faz uma recapitulação da vida de António Conselheiro:
Seu nome real era António Vicente Mendes Maciel, e nasceu em 1828 na vila de Quixeramobim, província do Ceará.
Seu pai era um comerciante remediado e honrado, proprietário de algumas casas na vila. Morreu em 1855, estando António com 27 anos.
Recebeu o inventário, mas os bens foram usados para pagar dividas. Como era caxeiro, assume a direção e toma conta das suas irmãs, já que eram órfãos de mãe desde 1834 (6 anos de idade). Em petição do próprio punho requer no inventario a anuência dos credores para a dilação do pagamento das dividas, dando-lhe garantia hipotecária.
Casa-se em 7 de janeiro de 1857, e neste mesmo ano liquida a casa comercial e passa a lecionar português, aritmética e geografia em uma fazenda vizinha.
Tenta melhorar de vida em Tamboril, e em Campo Grande, onde é de novo caixeiro, só que quando o dono fecha as portas, ele fica novamente desempregado. Por isso milita no foro de Ipu, como advogado provisionado. É então neste município que sua mulher foge com João da Mata, furriel da força pública da província. E é a partir daí que toda sua vida muda.
Desde que liquidara a casa comercial, começou a ascender à profissões mais elevadas. Escrivão, solicitador e advogado.
Porém, depois da fuga de sua esposa, António passa por duas fases. A primeira é a de instabilidade, na qual não é fixo em nenhuma residência e nem profissão, chega até ser vendedor ambulante. Com essa tendência nômade, passam-se dez anos sem ninguém ter noticias dele.
Até que percebe que precisa ganhar a vida com estabilidade, e em certa localidade do Pernambuco, se oferece para construir muros e cemitérios. E assim se inicia a segunda fase, na qual desempenha com êxito seus deveres e trabalhos, como construir igrejas, capelas, cemitérios, e muros.
Com essa aproximação dos religiosos, António retorna a sua fé original. E com o exercício do cristianismo, uma das obrigações é perdoar e esquecer aqueles que o fizeram mal. Por isso apaga de sua memória a mulher e seu sedutor.
Tendo essa nova filosofia de vida, passa a atrair pessoas com vontade de ajudar a erguer muros e igrejas. Essas pessoas começam a admirar António, pela sua eficácia e responsabilidade no serviço. Dada tal simpatia, os admirados passam a se achegar nele para pedir conselhos e contar problemas. Ajuda-nos com rezas e conselhos, e por isso essas pessoas passam a acompanha-lo espontaneamente.
Gente de todos tipo passam a acolher-se no grupo do Conselheiro, basta ter vida honrada. Então, a presença do líder passa a ser notada, já que tantos os acompanham nas construções. Ele agora dirige as orações do povo e suas prédicas são de grande fruto.
A partir disso começam a surgir os primeiros conflitos, por parte de certos sacerdotes e de políticos, principalmente de padres políticos. E na sua raiz não reside apenas a incompreensão desse ministério tão puro, mas também inveja, ciúme e maldade.
É por isso que na vila de Itapicuru de Cima, província da Bahia, António é preso e remetido para a capital, sendo acusado de assassinato de sua mãe e ex-mulher, sendo que sua mãe morrerá quando ele datará 6 anos de idade e sua ex-mulher continuava viva, e morava no Ceará. Provado isso, retorna a Bahia, e continua a peregrinação, sendo amado pelo povo.
O apelido faz jus a sua personalidade. António vive dando conselhos e consolando populações abandonadas e perseguidas pelo fisco. Continua rezando e fazendo prédicas, mas tudo com seu horário e dia, enquanto o trabalho é rotina.
Todos sabiam que ele não fazia milagres, não era médico, nem curandeiro não era sacerdote e nem farmacêutico. Por isso não o chamavam de Bom Jesus e nem de enviado por Deus. Ele sabia que não era profeta, apenas pregava os evangelhos e espalhava a palavra.
Porém, apesar de tudo isso, só por se colocar ao lado dos necessitados, Conselheiro era perseguido pelas autoridades civis e religiosas. O arcebispo primaz da Bahia, d. Luís Antônio dos Santos em 1882, expede circular ao clero para que não tolerem as prédicas do Conselheiro e evite sua ação entre o povo.
Além disso, o delegado da policia, quando ascende ao cargo de presidente da província, pede ao ministro do império que interne Conselheiro no hospício de alienados do Rio de Janeiro. Mas o ministro não aceita participar dessa perseguição e somente responde que não há vagas.
António Conselheiro era monarquista assumido. Era seu direito ter essa opinião, e ninguém em um regime democrático republicano poderia contestar isso. Ele não era ameaça e não iria tentar nada contra a monarquia.
Mas, desgostoso com a proclamação da república, prefere-se recolher-se em um local tranquilo, que todos que o seguisse, que nessa altura já eram muitos, ficassem em paz e acolhidos. Então, em 1893, escolheu Canudos, antiga fazenda de criação às margens do rio Vaza-Barris, abandonada completamente, sem viva alma. Se instalam ali e providenciam os serviços indispensáveis para à vida em comum. Preparam a terra, plantam, criam gado, vacum e caprino.
Trabalham sossegados, sem a perseguição do fisco, de soldados e de nenhum outro. Sabendo disso, muitas cidades ficaram desabitadas, pois as pessoas iam para Canudos. No fim, era a povoação mais numerosa da Bahia, depois da capital.
O população era honrada, e conhecida por não tocar no alheio. Matavam os adversários para defesa própria, se apossavam das armas e munições, mas o dinheiro, joias e bens pessoais permaneciam com o morto.
Vítimas da brutalidade e do egoísmo, a população de Canudos encontrou sua terra da Canaã, guiados pelo seu chefe, cuja palavra até então fora sempre um bom conselho.
Eram tão frequentes os abusos, que os sertanejos tinham mais medo da polícia e das autoridades do que dos próprios brandidos. Temiam os chefes políticos dos partidos em luta sórdida, inclusive quando sacerdotes.
Então, em 1895, o governador do Estado da Bahia, dr. Joaquim Manuel Rodrigues de Lima, entende-se com o arcebispo metropolitano para enviarem a Canudos o padre frei João Evangelista de Monte Marciano com a missão de fazer o Conselheiro tornar com a sua gente ao grêmio da Igreja e obediência às leis e autoridades do país.
Mesmo sabendo que o frei tinha como objetivo dispersar a população de Canudos, Conselheiro ajuda em tudo que ele precisa para que seu recado seja ouvido. Reúne as pessoas em praça pública, e ouve com elas as palavras e sermões do padre. Este, prega que a bíblia e a igreja condenam revoltas, apesar de saber que não é isso que a doutrina diz.
O padre também diz em seu relatório (que por sinal é injusto e mentiroso) sobre as pessoas adorarem Conselheiro como se ele fosse o Bom Jesus, e registros provam que o povo nunca o chamou e nem o considerou assim.
Nos sete dias que ficou em missão, o frei fez alusão e propagandas republicanas, querendo pregar que todos deviam ser tementes e obedecer a república, o que deixa os canudenses nervosos, o que faz o frei proferir injurias a respeito deles em seus relatórios.
Pode-se dizer que a guerra começou por um mal entendido, um boato. Quando faltou madeira para o telhado de uma igreja que Conselheiro estava construindo, espalhou-se o boato que ele iria saquear a cidade. Porém, era falso. O que António disse é que como não havia como receber a madeira por falta de quem transporta-la, ele iria com seus homens busca-la na cidade de Juazeiro.
Acreditando na primeira versão, dr. Arlindo Leoni, jovem juiz de direito de Juazeiro, telegrafa ao governador da Bahia, 29 de outubro de 1896, requisitando enérgicas providências.
O governador afirma que não acredita em boatos, e não iria mover forças baseado em um. 6 dias depois, 4 de novembro, outro telegrama de Arlindo, relatando que os “bandidos” saíram de Canudos dia 3, e em número de mil homens.
Forçado a acreditar no segundo telegrama, é enviada a força de cem praças do exército, sob o comando do tenente Pires Ferreira, com ordem de ir ao encontro dos canudenses, a fim de evitar que eles evadissem a cidade.
Depois do ataque surpresa, perderam mais de cento e cinquenta companheiros, além de ter vários feridos. Sendo que o exército do tenente só possuía dez mortos e dezesseis feridos.
O governador afirma que é desnecessária a formação de novas forças depois do final da primeira expedição.
Espalhavam-se nos jornais que os fanáticos do Conselheiro, com armamento moderníssimo pretendiam restaurar a monarquia. Não era verdade. Porém, apesar desse “perigo”, se digladiavam as varias facções dos partidos republicanos. E ainda diziam que o Conselheiro era o responsável pelo risco que corria a república!
No final, eram republicanos contra republicanos, os que mais agitavam.
Com tudo isso pode-se concluir que as pessoas só se agregaram ao Conselheiro graças as injustiças sociais.
O choque armado entre as forças do exército e os canudenses foi originado pelo juiz de direito Arlindo Leoni. As sentinelas em Uauá atiraram sem razão, movidas pelo medo. E o que deu continuidade a guerra foram as lutas partidárias entres os republicanos. Os canudenses fizeram o que fizeram em legitima defesa.
Autenticidade, autoria e conteúdo da obra
O volume da obra de António Conselheiro, que pertenceu a Euclides da Cunha, é encadernado, conta 628 páginas, numeradas e sem margem. Cada página com 14 linhas. Tinta preta, letra bela e sempre igual. O formato é 10x14.
Na folha de rosto diz: A presente obra mandou subscrever o peregrino António Vicente Mendes Maciel, no povoado do Belo Monte, província da Bahia em 12 de janeiro de 1897.
Essa expressão “mandou subscrever” provam sua profunda humildade, porque a caligrafia do texto e assinatura são suas. Esse manuscrito é divido em quatro partes.
Perfil traçado por Euclides da Cunha
Euclides deixa claro, em qualquer parte do seu livro, que tudo que António Conselheiro mais queria, era que seus companheiros, que tanto tinham sofrido pelo fisco, tivesse uma vida de paz, se alimentassem bem e trabalhassem.
Em momento algum Euclides menciona traço algum de política partidária. Isso pois o Conselheiro não se serviu nunca dessa política, nem mesmo para beneficiar o povo.
Euclides da Cunha informa quanto a escrita de Antônio Vicente Mendes Maciel que este tinha um turvamento intelectual de um infeliz, uma religiosidade difusa e incongruente com pouca significação política.
Euclides transcreve versos em quadrinhas o que demonstrava como eram os escritores das grandes cidades, eles deturpavam o pensamento claro de Antônio Conselheiro. O autor de “Os Sertões” não conheceu nenhum manuscrito do Conselheiro.
Não é certo que os dois livros mencionados por Euclides como inseparáveis do orador fossem o manancial de sua oratória. Em “As Horas Marianas” existem preces e atos de piedade e em “A Missão Abreviada” existiam poucos elementos, como o fato de dizer “Em qualquer povoação deve haver um missionários; este deve ser um sacerdote de bom exemplo e na falta dele qualquer homem ou mulher que saiba ler bem e duma vida exemplar..”.
Antônio Conselheiro, portanto, não usurpava funções que só cabiam ao clero, seguia o ensino da “Advertência”. Não hão de agradar aos céticos e agnósticos nem nenhuma das tolices ou crendices ou infantilidades que se lhe atribuem.
Os Sertões foram feitos com base em uma pseudociência do século XIX. Desde as primeiras criticas a Os Sertões, já se nota o conflito da “ciência nova” com a “ciência velha”. O autor procurou, antes de qualquer outra coisa, estudar os livros europeus cuja ciência pudesse aplicar ao caso de Canudos, do Conselheiro e demais vitimas da prepotência do meio social e político.
Buscou montar uma personalidade para o Conselheiro de fanático. Não existiram criminosos mas sim perturbadores da ordem social portadores de taras.
A degolação de Antônio Conselheiro e o transporte da sua cabeça para a Faculdade de Medicina da Bahia vemos que foi uma atrocidade amparada por preconceito pseudocientífico.
Raros foram os que conseguiram se desvencilhar da influência de Euclides da Cunha na exposição dos fatos e na sua analise antropológica. Para eles o Conselheiro e a sua gente constituem casos patológicos.
Sua obra, As Prédicas, foi dividida em quatro partes.
Proibição de matar: Quinto mandamento, depois de falar sobre a bondade de Cristo diz que não se deve proteger o assassino; deve recorrer a lei para punir aquele que lhe injuriou. Segundo mandamento da lei de Deus, analisa o juramento e o depoimento das testemunhas, horroroso aquele que presta juramento falso, movido por respeito humano, por paga ou por qualquer consideração. É admissível o juramento por ouvir dizer. Sétimo mandamento diz que é uma ofensa terrível aquele que furta e deve ser rigorosamente punido, a ponto de não sair da cadeia. Antes se deve pedir do que tirar a coisa mínima do próximo. Sobre o nono mandamento diz-se que é com o maior respeito que alude ao sacerdote e as autoridades da religião; e aos atos litúrgicos.
Nas predicas e discursos não se encontra a mínima alusão ao fim do mundo no expirar daquele século, diz que não há pavor do futuro para o homem de fé.
Sua fé é esclarecida e sólida, nenhum fanatismo. Se da outra parte, da parte dos que o seguiam, havia fanatismo, o fanatismo era em relação à sua pessoa. A uniformidade com que repetem as afirmações enganadoras, embora venham de longa data, não dispensa prova.
Os canudenses tomaram ou silenciaram muitas peças de artilharia. E não o fizeram como ato de fanatismo, fizeram para sua própria defesa.
Negando qualquer ligação entre Canudos e a monarquia, revidou o exercito com armas do próprio exercito que largavam no meio do campo de luta; faziam guerrilha para defender as pessoas e seus bens. A convicção pessoal do Conselheiro era pela monarquia e incutiu-a em seu povo.
O erro do Conselheiro é ser partidário do direito divino dos reis, doutrina condenada pela Igreja. Não podia, o missionário, afirmar que toda a Igreja aceitava prazerosamente a república, e o católico, como tal, não devia ser pela monarquia. A republica surgiu hostilizando a Igreja e a religião.
Se o modo de apresentar as suas convicções politicas foi inadequado, critique-se-lhe a linguagem e não o seu ideal.
A guerra de canudos não foi por conta da monarquia.
Já tendo fundado o arraial do Bom Jesus que era quase uma cidade, criou no fim da vida Canudos, denominando-a Belo Monte. Moravam lá mais de vinte mil pessoas com uma vida honesta e pacata. Podiam rezar e trabalhar todos os dias. Essa vida durou quatro anos. Antônio falava com autoridade pregava boa doutrina.
O Livro:
Tempestades que se levantam no coração de Maria por ocasião do mistério da anunciação
Primeiro ponto: tempo da oração, suplicas ao Deus. Estava destinada a ser Mãe deste mesmo Justo. Indagava se estava tendo alucinações.
Segundo ponto: o Anjo a tranquiliza, Deus a escolhera para ser sua Mãe. Tinha cautela no zelo de sua virgindade.
Terceiro ponto: Mãe Santíssima, perguntemos-nos a nós mesmos que temos feito para corresponder ao seu amor?
Sentimento de Maria por causa da pobreza em que se achava, por ocasião do nascimento de seu Divino Filho.
Primeiro ponto: nasce de Maria o justo dos justos. A Mãe não deixa de sentir o desamparo em que nasce. Se no nascimento de Jesus, Maria tem motivo para alegrar-se o desamparo em que nasce causa-lhe um sentimento tão vivo que lhe arranca lagrimas.
Segundo ponto: Divina Maria tão pobre, aquecendo em seu peito o fogo a tremer de frio, o rico na extrema indigência. Maria oferecamo-lhe o nosso coração, a fim de nele morar com Jesus, de hoje para sempre.
Terceiro ponto: morada limpa das manchas do pecado.
1. Dor de Maria por ocasião da sua fugida para o Egito.
O nascimento de Jesus foi logo sabido e de pronto o rei Herodes o quis matar. Então, o anjo do Senhor avisa José que leve Maria e Jesus para que fujam para o Egito. O caminho para o Egito era, não só desértico e pouco habitado, mas também repleto de ladrões e malfeitores. Porém, mesmo mediante ao incômodo dessas condições, Maria o faz, pois obedece a vontade de Deus e é assim que o autor do livro diz que os indivíduos devem comportar-se. Já pobres na cidade onde habitavam, seriam ainda mais pobres no lugar em que chegariam, o autor, agora encoraja o leitor à contemplar a Maria e a viver como ela ensina.
2. Dor de Maria na morte dos inocentes.
Devido à ausência de Jesus em seu território, Herodes mata a vários meninos de Belém com o pensamento de que algum deles viria a ser Jesus. À essas mortes Maria sofre como se filho seu fosse. Cumpre-se, então, a profecia do profeta Jeremias em que dizia “em Roma se ouviu um clamor” era Raquel chorando seus filhos. Se o fato de Raquel ressurgir do túmulo para chorar a morte de seus filhos já era algo terrível, pior ainda eram os lamentos de Maria pela morte dos meninos. Pois o coração de Maria era caridoso, então o autor sugere que os leitores sejam, também, caridosos e sigam seus passos.
3. Desolação de Maria durante o seu desterro do Egito.
Durante o seu desterro, Maria chorava a distância de sua terra, Sião, e o que via diante de seus olhos. Nesse ponto, o autor diz que o leitor deve, assim como ela, “desprezar o Mundo e suspirar pela pátria Celeste”, imitar sua resignação e questionar “Quando te verei, pátria querida?”.
Maria via os erros cometidos pelos indivíduos e sua cegueira. Ela via nos egípcios uma vida de desgraça sem fim. Maria pedia (?) que Deus abrisse os olhos do povo para a inteligência para que pudessem reconhecer um verdadeiro Deus.
Um dos motivos que faziam da pena de Maria mais amena é o fato de que ela levava Deus em seu coração e, por isso, poderia contemplá-lo estivesse aonde fosse. O autor cita esta situação como uma lição importante à seus seguidores: que este mundo seria o desterro deles e eles poderiam contemplá-lo e adorá-lo, pois tratam-se de sentimentos que nascem de um coração peregrino que deve desejar pela pátria.
4. Aflição de Maria na sua volta do Egito.
Após sete anos da estada da família no Egito, José recebeu um aviso do seu pedindo-lhe que levasse Jesus e sua mãe de volta para a Judeia, pois os homens que o queria matar já haviam morrido. E, apesar da pena que Maria sentia pelas fadigas que enfrentariam e faria seu filho enfrentar durante a viagem, a virgem apressa-se em obedecer às ordens de Deus. Maria também temia o fato de que o filho de Herodes era quem governava no momento. O anjo aparece novamente e diz à José que vá habitar Nazaré, cumprindo, mais uma vez, a profecia de Jeremias, em que Jesus seria chamado de Nazareno.
Maria cumpre a vontade de Deus dessa vez, mesmo temendo ser uma cilada, pois acredita em Deus. Com isso, o autor pretende demonstrar a seus seguidores que sem Deus nada é possível com segurança e utilidade.
5. Dor de Maria na perda de seu Filho no Templo.
Quando a família subia de Nazaré para Jerusalém, por ocasião da Páscoa, deram-se conta da ausência de Jesus que, este já tinha doze anos. Maria o procura resignada em achá-lo assim como o autor diz que seus discípulos devem comportar-se, procurando a Deus sem cessar. Maria, já pensando em tê-lo perdido por seus pecados pensa em não buscar-lhe mais, por penitência, encontra-o no Templo dizendo que estava servindo aos negócios do Pai. O escritor tem como objetivo fazer com que seus seguidores chorem ter perdido ambos – Jesus e Deus – pelo pecado.
6. Sentimento de Maria na morte de seus pais.
Maria amava a seus pais, S. Joaquim e S. Ana, incondicionalmente, porém aceita a morte deles resignada pois acredita ser a vontade de Deus. Ambos morrem em seu braço sabendo que ela seria a mãe de seu próprio Deus. Dela, o autor diz ser necessário aprender que se ame verdadeiramente aos pais, os obedeçam sendo verdadeiramente submissos à eles e os repeitem sem fingimento.
7. Dor de Maria durante a vida particular de Jesus em Nazaré.
Maria sabia quem viria a ser seu filho o que lhe dificultava quando em se tratando de mandar em Jesus, uma vez que além de seu filho era, também, Criador. Maria tinha mais facilidade em obedecê-lo do que mandar nele. Assim como ela, deve-se ocupar-se de Deus, pensar em Deus e suspirar por ele.
8. Sentimento de Maria quando seu Filho se retirou para o deserto.
Chegando o tempo em que Jesus deveria retirar-se ao deserto para pagar penitência, a dor de Maria aumenta, esta, novamente, aceita a vontade de Deus, pois o ama mais que a si mesma. Jesus, então, aproxima-se de sua mãe para anunciar sua partida e ao contar-lhe, a Virgem chora e Jesus chora por vê-la sofrer.
Em verdade, Maria desejava acompanhar a seu filho, porém, isso só a faria sofrer mais, pois veria de perto a penitência pela qual seu filho estava passando. Aprende-se, então, de ambos, a sacrificar-se para que seja cumprida a vontade do Senhor.
9. Doe de Maria por causa das injúrias proferidas contra seu Filho.
Maria sofria imensuravelmente mediante às injúrias proferias pelos judeus sobre seu filho, ver seu filho ser injuriado por aqueles para quem ele fora mandado. Mais a faz sofrer a contradição do povo a quem Jesus ama é quem o despreza, mas Maria não lhes deseja vingança, isto esta reservado a Deus, que vinga-se por meio da punição e os perdoa mesmo que o tenham causado amargura.
10. Dor de Maria por ocasião da permissão que Jesus lhe pediu para suportar a morte.
Como a hora de seu sacrifício, em que era ele ao mesmo tempo sacerdote e vítima, próxima, Jesus busca sua mãe para a avisar que seria cumprido o que estava escrito nas divinas Escrituras. Maria pede a seu filho que não seja necessário seu consentimento, mas que ele faça o que deve ser feito, mediante a essa atitude o autor a considera heroica.
11. Dor de Maria na prisão de seu Filho.
Quando é, à Maria, avisada a prisão de seu filho, a Virgem lamenta a cegueira do povo, que prende o deu próprio Deus, sendo ingratos aos seus benfeitos. Ao mesmo tempo que chora por ver os delitos dos judeus contra seu filho, chora à ingratidão dos cristãos que praticam crimes tão ofensivos a Deus. Pior ainda é ver um discípulo de seu filho o traindo. O autor conclui dizendo que se há de um lado o Cordeiro Divino que liberta das cadeias aos presos oprimidos, do outro, há um discípulo que pagará por ter vendido seu mestre e benfeitor.
12. OS DEZ MANDAMENTOS DA LEI DE DEUS
Primeiro mandamento:
Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o máximo e o primeiro mandamento ( Mat., cap. 22 v. 38 )
Na antiga lei, era possível aceitar que um homen duvidasse do tanto que Deus o amava, mas depois de sofrer na cruz ate morrer não pode haver mais duvida desse amor.
O amor mais é o de deus que deu o próprio filho (jesus) simplesmente por amor.
Unica Dádiva gratuita: o amor, quando uma dadiva tem motivo se não esse amor, deixa de ser verdadeira dádiva
Não é possível a comparação entre o pecado o homem e o que Deus fez, dando jesus com o objetivo de salvar os pecadores, o objetivo foi sentir uma dor bem grande para satisfazer por todas as penas que merecias os pecadores.
Segundo Mandamento:
"Não pronunciarás em vão o nome do senhor teu Deus"(Ex -20,7). "Senhor nosso Deus, quão prescreve respeitar o nome do Senhor. O nome do Senhor é santo".
O segundo mandamento proíbe todo o uso impróprio do nome de Deus. A blasfêmia consiste em usar o nome de Deus, de Jesus Cristo, da Virgem Maria e dos Santos de maneira injuriosa.
È uma ofensa fazer qualquer jura invocando o nome de Deus em vão. O juramento é admissível para o descobrimento da verdade mas deve ser de modo que nem aumente nem diminua coisa alguma sobre o caso. É possível também o juramento por ouvir dizer, é preciso que a testemunha declare o nome da pessoa do caso em questão para o depoimento ter valor de direito.
Testemunham que derem depoimento falso ficam responsáveis por despesas e danos que se seguirem desses seus falsos juramentos
Terceiro Mandamento:
3º - Guardar os domingo e festas de guarda “Lembra-te do dia do descanso para guardá-lo. Seis dias trabalharás e farás os teus afazeres. O sétimo dia, porém, é o descanso em homenagem a Javé, teu Deus”.
O próprio Deus ordenou que um dia da semana fosse destinado ao descanso e ao culto divino. No Antigo Testamento, esse dia era o sétimo dia da semana, o sábado. No Novo Testamento, dedicamos ao Senhor o primeiro dia da semana, que chamamos de domingo, porque foi no primeiro dia da semana que Jesus ressuscitou. Foi também num domingo que enviou o Espírito Santo. É por isso que os cristãos consagram, o primeiro dia da semana, o domingo
A instituição do domingo contribui para que todos tenham tempo de repouso e de lazer suficiente para lhes permitir cultivar sua vida familiar, cultural, social e religiosa. Todo cristão deve evitar de impor sem necessidade aos outros aquilo que os impediria de guardar o dia do Senhor.
Quarto Mandamento:
Honrar Pai e Mãe. “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias sobre a terra que Javé, teu Deus, te concede”.
Os filhos devem amar seus pais, obedecendo, respeitando e socorrendo-os em suas necessidades de qualquer tipo.
Não só deve entender essa relação de obrigação dos filhos para com os pais, mas também do cuidado que vão de ter os pais com os filhos na boa educação dando-lhes boa doutrina.
Quinto mandamento:
Não Matar
“Não cometerás homicídio”.
Ainda que um homen fosse vítima de muitas injúrias de seu inimigo isso não era motivo suficiente para tirar-lhe a vida. Esse homem não pode justificar seu procedimento por mais grave seja a injúria.
Desse modo se haver de lavar as mãos com sangue deve ir ate a autoridade para ai se proceder contra ele, dentro da lei.
Sexto Mandamento:
Não pecar contra a castidade, não cometer adultério.
O adultério e o divórcio, a poligamia e a união livre são ofensas graves à dignidade do casamento.
Este mandamento da Lei de Deus é a proteção do matrimônio e da própria família.“Não pecar contra a castidade”, “O corpo não é para a impureza, ele é para o Senhor, e o Senhor é para o corpo”
Ao criar o ser humano o Senhor dá, ao homem e à mulher, de maneira igual, a dignidade pessoal. Cada um deve reconhecer e aceitar sua identidade sexual, de acordo com o sexo que o indivíduo possua.
Há ainda, dentro deste mesmo pecado, coisas como a masturbação, a fornicação (sexo antes do casamento religioso), a pornografia (exibição pública dos atos sexuais), a prostituição, o estupro e a homossexualidade.
Sétimo mandamento:
Não furtar ou roubar: Este mandamento proíbe a retenção indevida dos bens alheios ou a lesão do próximo com relação a eles, seja como for. Vale a pena lembrar que a ajuda aos pobres é uma grande virtude. Portanto, uma pessoa avarenta (mão-de-vaca) "não entrará no Reino de Deus", diz o Apóstolo com todas as letras em 1Cor 6,10. O nosso trabalho também é para que possamos partilhar nossos lucros com aqueles que não têm condições.
O Catecismo nos lembra que o pecado contra este mandamento exige reparação. É necessário que o fiel arrependido restitua o valor ou a mercadoria roubada. Este mandamento também inclui a escravidão.
Oitavo Mandamento:
"Não levantarás falso testemunho contra teu próximo"(Ex 20,16).
O oitavo mandamento da Lei de Deus proíbe: testemunhar falsamente em juízo, caluniar ao próximo, dizer qualquer classe de mentira, murmurar, julgar mal ao próximo, revelar sem motivo seus defeitos e toda ofensa contra a honra e a boa fama dos demais.
Aquele que difama ou calunia ao próximo, além de confessar seu pecado tem a obrigação grave de restituir-lhe a honra e a fama que lhe foi tirada.
Nono mandamento:
O nono mandamento da Lei de Deus nos manda que sejamos puros e castos em pensamentos e desejos.
Os pensamentos e desejos impuros são pecado quando a vontade se compraz deles, ainda que nãos e realize o ato impuro; mas não são pecado quando a vontade não os consente e procura rejeitá-los
A pureza de coração é alcançada com a oração, a mortificação e a prática da castidade juntamente com a pureza de intenção e de olhar.
Décimo Mandamento:
"Onde está teu tesouro, aí estará teu coração"(Mt 6,21).
O décimo mandamento da Lei de Deus nos proíbe o desejo desordenado de riquezas e a inveja dos bens alheios.
O décimo mandamento da Lei de Deus nos ensina a viver desprendidos dos bens materiais e a trabalhar com diligência para melhorar nossa situação atual com o coração aberto às necessidades dos demais
Conclusões:
Após a leitura da obra percebo que muitas pessoas tem uma visão errônea de Antonio Conselheiro. Ao formular conclusões sobre a guerra de Canudos, apenas lendo a obra “Os Sertões” de Euclides da Cunha as pessoas tendem a concordar com a visão equivocada dos republicanos, porém com a leitura da obra “Antonio Conselheiro e os Canudos: revisão histórica” de Ataliba Nogueira, pode-se perceber que Antonio Conselheiro, ao contrario do que era difundido pelas pessoas da época e por Euclides, não era um “fanático religioso” e nem “tinha um turvamento intelectual de um infeliz”. Ataliba afirma que ele tinha “uma fé esclarecida e sólida e nenhum fanatismo”. A primeira visão pode ter surgido mediante ao fato de que muitos que os seguiam eram fanáticos em relação à sua pessoa, mas não podemos nos apegar a isso, pois essa afirmação não apresenta provas concretas.
Quanto ao fanatismo político, alegado por parte da população como a causa da guerra de Canudos, ambos os autores concordam que isso não ocorreu. Ataliba relata, inclusive, que o modo de apresentar essas convicções políticas pode ter sido inadequado, mas isso seria um erro de linguagem e não um problema em relação ao seu ideal.
Em suma, a visão me Ataliba parece ser mais sensata, pois é imparcial e abrangente de modo em que se baseia em fatos históricos e concretos. As pessoas se juntaram a ele por se identificarem com seu e ideal, uma vez que também foram injustiçadas. Em momento algum Conselheiro procurou montar um exército com objetivo de combater o regime vigente, apesar de ser monarquista. Como prova disso, durante o combate, a população de canudos não era a primeira a atacar, ao contrario, se defendiam, e para isso usavam as armas deixadas pelo inimigo no campo de batalha.
Concluo que Conselheiro não era um fanático religioso por não tentar impor sua crença aos seus seguidores, eles simplesmente aderiram-na.
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